Linha de Cuidado Materno Infantil da Unimed Uberlândia acompanha a gestante do pré-natal ao puerpério e adota abordagem multiprofissional e baseada em evidências

Amamentar é um processo natural, mas isso não significa que aconteça sem dificuldades. Pega incorreta, dor, fissuras nos mamilos, ingurgitamento mamário, dúvidas sobre a produção de leite e insegurança estão entre os desafios que podem surgir principalmente nas primeiras semanas após o nascimento. Nesse período, a orientação de profissionais de saúde e o apoio da família são elementos importantes para ajudar mães e bebês a atravessarem essa fase com mais segurança.
O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e sua continuidade até os dois anos ou mais, após a introdução da alimentação complementar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) segue a mesma recomendação. O leite materno fornece os nutrientes necessários ao bebê nos primeiros meses e está associado à proteção contra infecções respiratórias, diarreias e outras doenças, além de benefícios de longo prazo para a saúde da criança. Para a mulher, a amamentação também está associada à redução do risco de hemorragia no pós-parto e de alguns tipos de câncer.
Para o pediatra e neonatologista Dr. Luciano da Silva, cooperado da Unimed Uberlândia, é importante compreender que a amamentação também envolve uma etapa de aprendizado e adaptação. “Embora a amamentação seja um processo natural e fisiológico, ela também envolve aprendizado e adaptação, tanto para a mãe quanto para o bebê”, explica.
Segundo o médico, dificuldades como pega incorreta, fissuras nos mamilos, dor durante as mamadas, ingurgitamento mamário, sensação de produção insuficiente de leite, dificuldade do bebê para sugar e insegurança materna são situações que podem aparecer no início. O pediatra ressalta, porém, que enfrentar esses obstáculos não significa que a mulher seja incapaz de amamentar. “Na maioria das vezes, com orientação adequada e apoio profissional, esses obstáculos podem ser superados, permitindo que a amamentação aconteça de forma tranquila e satisfatória”, afirma.
Quando procurar ajuda
A dor durante a amamentação não deve ser naturalizada como uma condição que a mulher precisa simplesmente suportar. O Ministério da Saúde orienta que a amamentação não deve causar dor persistente e destaca a importância do posicionamento e da pega adequados para prevenir lesões mamilares.
De acordo com Dr. Luciano, a avaliação profissional é especialmente importante diante de dor persistente durante as mamadas, perda excessiva de peso do bebê, diminuição da quantidade de urina, dificuldade no ganho de peso, sinais de desidratação ou insegurança da mãe em relação à alimentação da criança. “A intervenção precoce é fundamental para prevenir complicações, fortalecer a confiança materna e reduzir significativamente o risco de desmame precoce”, orienta.
A recomendação é que a família não espere que uma dificuldade se agrave para buscar orientação. O acompanhamento do pediatra permite avaliar crescimento, desenvolvimento e estado nutricional do bebê, enquanto outros profissionais podem contribuir para identificar questões relacionadas à pega, postura, alimentação materna, aspectos emocionais e outras situações que interferem na amamentação.
Para o pediatra, a atuação integrada é particularmente importante. “A atuação conjunta de enfermeiros, obstetras, nutricionistas, fonoaudiólogos, psicólogos e consultores em amamentação permite uma avaliação mais ampla das necessidades da mãe e do bebê”, afirma. O objetivo, segundo ele, é oferecer um cuidado que considere não apenas os aspectos físicos da amamentação, mas também as dimensões emocionais, comportamentais e sociais envolvidas nesse período.
Rede de apoio começa dentro de casa
A orientação profissional é apenas uma parte da rede necessária para sustentar o aleitamento. Familiares e pessoas próximas também podem contribuir ao acolher a mulher, evitar cobranças e oferecer ajuda prática durante o período de adaptação à nova rotina. O próprio Ministério da Saúde destaca que dificuldades no início da amamentação, falta de apoio e informações inadequadas podem desestimular a continuidade do aleitamento.
Nesse contexto, a rede de apoio pode ajudar a reduzir a sobrecarga da mulher e favorecer um ambiente mais adequado para que ela consiga se dedicar ao bebê. Para Dr. Luciano, quando a mãe se sente acolhida, orientada e apoiada, aumenta a possibilidade de manutenção do aleitamento de acordo com as recomendações dos órgãos de saúde.
Banco de Leite oferece suporte especializado
Outra estrutura importante nessa rede são os Bancos de Leite Humano. Esses serviços atuam na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, além de coletar, processar e distribuir leite humano para recém-nascidos que necessitam desse suporte.
Em Uberlândia, o Banco de Leite Humano do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) é referência para esse atendimento. De acordo com a Carta de Serviços do hospital, o serviço oferece apoio e promoção do aleitamento, esclarecimento de dúvidas, consulta de amamentação quando necessária, atendimento às mães com dificuldades e coleta domiciliar de leite doado. O leite recebido passa por controle de qualidade antes de ser destinado aos recém-nascidos que necessitam.
“Com orientação individualizada e acompanhamento qualificado, muitas intercorrências que poderiam levar ao desmame precoce são resolvidas de forma eficaz, proporcionando mais segurança e confiança para a mãe”, explica Dr. Luciano.
Cuidado começa antes do nascimento
A importância do acompanhamento não se limita ao momento em que o bebê chega ao colo da mãe. Na Unimed Uberlândia, a Linha de Cuidado Materno Infantil é estruturada como um percurso assistencial que começa com a captação da gestante e passa pelo pré-natal, realização dos exames preconizados, estratificação de risco, parto e acompanhamento da puérpera e do recém-nascido no puerpério.
Esse percurso é denominado Jornada da Gestante e prevê a elaboração de um plano de cuidado de acordo com as necessidades identificadas. A proposta adota uma abordagem integrativa e participativa, baseada em práticas de Medicina Baseada em Evidências e alinhada às recomendações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e ao modelo Parto Adequado.
A Linha de Cuidado Materno Infantil também prevê atuação multiprofissional. Para as gestantes clientes da Unimed Uberlândia que optarem pela evolução para o parto vaginal e forem atendidas por cooperados que aderiram à linha, o cuidado envolve enfermeiro obstétrico, fisioterapeuta pélvico e médico obstetra. A estruturação desse percurso considera ainda princípios de humanização, autonomia da mulher e cuidado centrado no paciente, acompanhando a gestante ao longo do ciclo que envolve gravidez, parto, nascimento e puerpério.
Embora a Linha de Cuidado Materno Infantil não seja apresentada como um serviço específico de consultoria em amamentação, o acompanhamento contínuo da gestante, da puérpera e do recém-nascido cria um contexto de cuidado integrado em que as necessidades maternas e infantis podem ser acompanhadas ao longo dessa transição.
Informação também faz parte do cuidado
Para as famílias, algumas medidas podem ajudar a tornar esse período mais seguro: buscar informações ainda durante a gestação, participar das orientações oferecidas pela equipe de saúde, observar se o bebê apresenta dificuldades para sugar, não ignorar dor persistente e procurar avaliação profissional diante de dúvidas sobre alimentação, ganho de peso ou hidratação.
Também é importante evitar que experiências individuais de outras mães sejam transformadas em regras gerais. Cada binômio mãe-bebê pode apresentar necessidades diferentes, e situações que exigem avaliação clínica não devem ser solucionadas apenas com orientações informais.
Mais do que estabelecer uma meta de duração para o período de amamentação, é importante criar condições para que a mulher receba informação, acolhimento e assistência qualificada. Quando surgem dificuldades, buscar orientação profissional faz parte do cuidado. Amamentar também é um processo que pode exigir aprendizado, adaptação e suporte.

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