Talento e drama de cantora lírica ganham os palcos e peça ‘Callas’ chega á Uberlândia

Contar, em um palco, a história de uma das cantoras líricas mais imponentes e impressionantes da história não é para qualquer um. Por isso, o espetáculo “Callas” conta com um elenco e direção renomados. Caberá a Silvia Pfeifer interpretar, a soprano que revolucionou, no século XX, e relembrou os grandes recitais de ópera de séculos anteriores.

Dividirá o palco com a atriz, Cássio Reis, que interpretará o amigo da cantora, Jhon Adms. E quem dirige a peça é Marília Pêra, que viveu Maria Callas, em 1996, no aclamado Maria Callas em ‘Master Class’. Sobre a peça, Marília ressalta a dramaticidade. “Maria Callas é a estrela que Deus colocou entre nós para nos mostrar o sentido da vida, e que logo foi embora brilhar no Universo. Nunca mais e para sempre! Assim ela é e será!”, afirmou.

Foto: divulgação

Dona de uma voz inconfundível e de um temperamento genioso, Callas foi marcada tanto pelo talento musical e teatral, quanto por sua vida pessoal conturbada.

Carreira

Callas tinha uma voz poderosa, a qual alcançava uma amplitude fora do comum. Isto permitia à cantora abordar papéis desde o alcance do mezzo-soprano até o do soprano coloratura. Com domínio perfeito das técnicas do canto lírico, a soprano pôde participar e ser protagonista de diversas óperas, entre as décadas de 50 e 70, com estilo e repertório, incrivelmente versáteis, que incluía obras do bel canto (Lucia di Lammermoor, Anna Bolena, Norma), deVerdi (Un ballo in maschera, Macbeth, (La Traviata) e do verismo italiano (Tosca), e até mesmo Wagner (Tristan und Isolde, Die Walküre).

Apesar destas características, Callas entrou para a história da ópera pelas inigualáveis habilidades cênicas. Levando à perfeição a habilidade de alterar a “cor” da voz com o objetivo de expressar emoções, e explorando cada oportunidade de representar no palco as minúcias psicológicas das personagens, a cantora mostrou que era possível imprimir dramaticidade mesmo em papéis que exigiam grande virtuosismo vocal por parte do intérprete — o que usualmente significava, entre as grandes divas da época, privilegiar o canto em detrimento da cena.

Muitos consideram o estilo de interpretação que Callas imprimiu foi uma revolução sem precedentes na ópera. Desde a segunda metade do século XX uma tendência entre os cantore na valorização da formação dramatúrgica e da figura cênica — que se traduz, por exemplo, na constante preocupação em manter a forma física. Esta tendência foi responsável pelo surgimento de toda uma geração de sopranos que, graças às suas habilidades de palco, poderiam ser considerados legítimos herdeiros de Callas, tais como Joan Sutherland ou Renata Scotto.

De origem grega, mas nascida nos EUA e muito pobre, a cantora começou a estudar canto em um conservatório na Grécia e no fim da década de 40 despontou para o sucesso.

Vida pessoal

Envolveu-se com homens importantes, mas acabou não sendo feliz. Dona de um temperamento forte, que parecia o correlato perfeito para a intensa carga dramática com que costumava abordar suas personagens, tornou-se famosa por indispor-se com maestros e colegas em nome de suas crenças estéticas.

Em 1958, após ficar doente e ter abandonado uma récita de Norma na Ópera de Roma, foi fortemente atacada pela imprensa italiana, a qual julgou que a soprano queria ofender o presidente italiano, presente na plateia.

O escândalo comprometeu sua carreira na Itália e, no mesmo ano, ela entrou em disputa com Antonio Ghiringhelli, dirigente do La Scala, que não a queria mais no teatro.

Somente voltou a apresentar-se no La Scala em 1960, na ópera Poliuto de Donizetti; ainda em 1958, foi sumariamente demitida do Metropolitan por Rudolf Bing, que desejava que ela alternasse apresentações de La Traviata e Macbeth, óperas de Verdi com exigências vocais muito distintas para a soprano. À exigência de Bing, Callas celebremente respondeu que sua voz não era um elevador.

Em 1959, rompeu um casamento de dez anos com seu empresário, G. B. Meneghini, muito mais velho do que ela. Manteve, em seguida, uma tórrida relação com o milionário grego Aristoteles Onassis, com quem não foi feliz e que rendeu várias capas para tablóides sensacionalistas.

Toda essa história ganhará corpo com um elenco talentoso, que promete encantar, emocionar e interter o público que comparecer ao Teatro Municipal nos dias oito e nove de agosto. Os ingressos estão a venda na Greta Cauê Maison — Av. Rondon Pacheco, 1413 — (34) 3231–5151 — ou clicando aqui. Também são aceitos Vale-Cultura da Sodexo, clientes Brasil Prev e Renner têm 50% de desconto na compra de até dois ingressos.

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