Qual será o aroma da vida? Essa resposta cabe a cada pessoa responder. Ele pode ser doce, ácido, amargo, quase imperceptível, às vezes se pode trocar, outras, no entanto, eles podem se misturar, mas quem escolhe qual aroma irá perdurar ao longo do tempo é você.

Não se pode negar que é preciso saber viver, porém é imprescindível compreender a morte, afinal esta é a única certeza que temos. Já parou para pensar nisso?
Acredito que a maioria pensa, somente na construção da vida, mas poucos encaram a morte como algo natural. E para quem assistiu, nesta quinta-feira (17), à peça “Ensina-me A Viver”, certamente, refletiu sobre o assunto.
A história de um jovem, de 19 anos, fissurado pela morte, devido a solidão provocada pela falta de atenção da mãe, que está muito mais preocupada em manter a imagem inabalável de uma família tradicional, ou invés de ouvir as inúmeras tentativas do filho que clama por socorro.
Toda essa atenção, carinho e admiração, Harold encontra em Maude, uma velhinha de bem com a vida, com o perfil aventureiro, inventora e sem preconceitos.

Maude mostrou o lado doce da vida para Harold, que se encantou com tamanha vivacidade. Deu-se início a uma bela história de amor. Com Maude, o jovem aprendeu a se abrir, a observar um mundo mais belo e também a se machucar, sem ser suicida.
Esta história de amor, de 1971, foi encenada com perfeição, tanto pelo elenco, quanto pela produção, que são impecáveis.
Apesar de parecer um drama pesado, a peça mescla com maestria, momentos mais densos, com cenas de um humor inteligente e sofisticado. O fato do espetáculo ter sido adaptado de um livro, que posteriormente se transformou em filme, fez com que o público fosse ao teatro com uma certa expectativa.

Porém, quem compareceu ao Teatro Municipal se surpreendeu, com a pitada certa de humor e drama, o espetáculo conseguiu divertir e levar o público aos prantos, que ao término do espetáculo aplaudiu calorosamente, por alguns minutos, todo elenco.
A produção, é sensacional, toda a troca de cenário era feita de maneira ensaiada, para que a cena seguinte se encaixasse, sincronismo total. A trilha sonora também foi nota 10, na adaptação teatral Frank Sinatra foi um dos homenageados, em um momento divertido, no qual Harold mostra toda sua desafinação ao cantar “My Way”. Claro, o clássico “If You Want to Sing Out, Sing Out“, com banjo, tocou no momento adequado .
Dizer que Arlindo Lopes e Glória Menezes tem química é normal após ver o espetáculo. Mas todo o elenco tem que ser exaltado, a condução das personagens, o humor na hora certa, a dramaticidade sem exageros, tudo perfeito! Se o elenco mostrou afinação e harmonia, o figurino e objetos, que nos remetem a história, não ficaram para trás. Cada detalhe foi pensando.
Eu me emocionei, me diverti e chorei. Você que não pôde ir a estreia, não perca a chance, aproveite as sessões em cartaz, no Teatro Municipal, que ocorrerão até o dia 20.
Ficha Técnica:
Texto: Colin Higgins
Tradução: Millôr Fernandes
Direção e Adaptação: João Falcão
Elenco:
Glória Menezes — Maude
Arlindo Lopes — Harold
Angela Dip — Helena Chasen
Antonio Fragoso — Tio Vitor, Dr. Matias, Padre Finney, Inspetor Marcos e Caçapa
Elisa Pinheiro — Silvia Gazela, Nancy e Dora Alegria
Elenco de Apoio: Verônica Valentim, Guilherme Siman, Walisson de Souza e Jamil Kubruk
Cenografia: Sérgio Marimba
Figurino: Kika Lopes
Iluminação: Renato Machado
Trilha Sonora: Rodrigo Penna
Projeto Gráfico: Dulce Lobo
Assistente Direção e Direção de movimentos: Duda Maia
Primeira Página Produções
Gerente de projetos: Paula Salles
Produção Executiva e Administração do Espetáculo: Luciano Marcelo
Direção de Produção: Maria Siman

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