Radiohead deixa o público em São Paulo com gostinho de quero mais

Pra quem acha que há tempos que o público que frequenta o Allianz Parque não está acostumado com espetáculo, pode estar certo por um lado, porém bem errado por outro. Calma, eu explico, quem torce para Palmeiras está decepcionado com o time. Mas para quem foi ao show do Radiohead, neste domingo, saiu bem satisfeito.

Embora, a apresentação tenha tido pequenos problemas técnicos de áudio e com o telão, a performance do grupo inglês não foi comprometida. Também temos que registrar um momento incomum, um erro técnico. Durante a execução de 2+2=5, uma falha na afinação da guitarra deixou Thom Yorke irritado.

Muito introspectivo, o líder da banda não é muito de interagir com o público, isso os fãs já sabem. No entanto, sua energia no palco conseguiu chegar a plateia. O palco era composto por canhões de luzes, que alternavam de cor, e também por um telão central que mostrava imagens, em projeção, bem detalhadas dos músicos no momento em que eles tocavam.

(Foto: Celso Tavares/G1)

Com mais de duas horas de apresentação e mais de 25 músicas tocadas, seria injusto dizer que o setlist deixou a desejar. Porém, em se tratando de Radiohead, que tem fãs apaixonados,e conhecem praticamente todo o repertório, pode-se dizer que ficou um gostinho de quero mais. Tomara que eles não demorem tanto para voltar. Hits como : “Creep”, “Karma Police” e “High and Dry”, essa eu senti falta, não fizeram parte do repertório. Por outro lado, “No Suprise”, “Paranoid Android” e “Fake Plastic Trees”, levaram o público as lagrimas, logicamente, também cai no choro.

 Depois de quase dois anos sem ir a um show internacional, pude matar a saudade e reacender aquela energia, que estava meio adormecida, no entanto, ela ressurgiu com força total. Emoção que espero continuar sentindo por incontáveis vezes. Mas o que me fez despertar tanta emoção? Simplesmente, reviver a mesma sensação que tive em 2009, ano em que vi pela primeira vez o Radiohead.

(Foto: Celso Tavares/G1)

Apesar do significado desse show ser bastante similar ao primeiro, algumas pespectivas mudaram. Nove anos mais velho, a interpretação de alguns hits mudaram. Mesmo sem ter tocado “Creep”no show, é importante ressaltar que essa canção marcou minha vida. Antigamente tinha um significado íntimo, indescritível, pois por muitas vezes me senti “esquisito” e inferior. Mas hoje, essa música tem um significado extremamente forte e intenso, de alguém que expõe seus medos e fraquezas, mostrando para sociedade que a atitude dela, pode deixar uma pessoa confusa, porém a mesma consegue lutar para mudar a realidade e transformar o mundo. Afinal, estamos falando de uma música, que pode ter diversas interpretações e significado.

Depois desse desabafo, o qual para mim faz sentido, vamos falar de algo novo para mim. Essa foi minha primeira vez no Allianz Parque, apesar de não ser palmeirense, tenho que reconhecer: é bonito e projetado para grandes eventos, que de fato às vezes atrapalham a principal função da arena, que é o futebol. Fora isso, é importante ressaltar que a área das pessoas com alguma singularidade é aceitável, porém sou exigente, poderia ser melhor. Contudo, em comparação com a área do primeiro show, o setor do Allianz Parque é um hotel cinco estrelas. Mas mesmo assim, parece um cercadinho.

(Foto: Celso Tavares/G1)

Agora, vamos mudar de assunto e falar um pouco mais do festival, O Soundhearts começou com o Aldo The Band, banda nacional que mistura a música eletrônica com guitarras distorcidas, que lembram Sonic Youth. Apesar do instrumental estar bem presente nas músicas, o som estava muito alto e atrapalhava entender as letras.

Logo depois subiu no palco Junun, banda que tem entre seus integrantes o guitarrista do Radiohead, Jonny Greenwood. O grupo tem uma sonoridade diferente, que reúne trompete, tambores e batuque. Como seus integrantes tem nacionalidades variadas, é perceptível as diversas influências, que vai desde música indiana a música árabe, com uma pitada do rock inglês. Uma mistura que me surpreendeu pela originalidade, criatividade e qualidade vocal dos cantores.

 Antes da atração principal fechar a noite, Flying Lotus, tentou esquentar o público com sua música eletrônica. Telões com explosões de cores, luzes, com imagens diversificas em 3D e também psicodélicas, que combinavam com a sonoridade que o DJ produz. Quem curti música eletrônica, desfrutou da apresentação do músico. Mas devo dizer, talvez se eu entendesse e conhece um pouco o estilo pudesse apreciar mais.

Quero deixar aqui, no final do texto, uma simples homenagem. Obrigado Piteco por sempre ser paciente comigo e me apresentar sons que transformaram minha maneira de ver o mundo, você faz falta!

Espero encontrar vocês em breve, com mais uma história, outra experiência.

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