‘Suassuna — O Auto do Reino do Sol’ mantém a essência do seu homenageado viva

Poucos conseguem contar a história do povo brasileiro como Ariano Siassuna. Capaz de mostrar, através da arte, várias facetas de um povo, que consegue sorrir apesar da escassez, um povo que cria mil e uma maneiras de sobreviver e faz da vida um grande picadeiro, tornando a própria existência um espetáculo circense. A comparação entre a arte circense e a vida é pertinente. Afinal, o que presenciamos em um espetáculo circense? Exatamente o que temos na vida. Momentos alegres, dançantes e, de preferência, acompanhados de uma boa música. E, por outro lado, passamos por dramas, momentos de insegurança e de medo. O que precisamos, é encontrar o equilíbrio e, quando chegarmos ao último ato, devemos estar satisfeitos e contentes com nossa própria trajetória. Assim é o circo, ao final da apresentação, o artista deseja ter todo o seu trabalho reconhecido. Suassuna foi o mestre em relatar, contar e escrever a história do povo brasileiro. De maneira genial, ele mostrava a realidade brasileira, nunca deixando de lado suas raízes.

Foto Divulgação

Essa atmosfera lúdica do circo, que mistura diversos tipos de arte como: o teatro, a música, a dança e outras tantas, busca transmitir ao público um turbilhão de sentimentos, que muitas vezes se confundem com a nossa realidade, provocando na plateia reações e emoções distintas.

Mas por que essa analogia entre a vida e o circo? Porque o circo está chegando, com toda sua imponência, simplicidade, charme, alegre, magia, beleza e surpresas ao picadeiro do Teatro Municipal de Uberlândia, com o espetáculo que mergulha no legado deixado pelo escritor paraibano. ‘Suassuna — O Auto do Reino do Sol desembarca na cidade do Triângulo Mineiro, entre os dias quatro e seis deste mês, com o objetivo de encantar o público.

Para tentar compreender o processo de montagem e criação da peça, conversamos com Fábio Enriquez, um dos integrantes da Cia Barca Corações Partidos. Por conta deste bate-papo, entendi o motivo do espetáculo ser tão premiado.

O ator nos contou que para alcançar o resultado final, houve uma colaboração mútua entre todas as equipes do projeto, que vai desde os atores, as equipes técnicas, de produção, figurino, montagem de palco, entre outras.

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Para deleite da Cia, essa caminhada até a estreia do espetáculo teve o apoio e a colaboração da família de Ariano Suassuna. Durante alguns meses, parte do musical esteve na fazenda do escritor, convivendo diretamente com os seus familiares. Dentre as histórias deste período de construção da peça e dos personagens, ocorreram situações interessantes como: um sarau feito para Zélia Suassuna, esposa do escritor, e uma experiência única que Enriquez, não esquece. “Eu comentei com um morador local enquanto a gente caminhava: engraçado, aqui no sertão, têm plantas com folhas verdes, vivas, no meio das folhas secas, e das árvores secas. Nesse momento, o sertanejo disse: Essas plantas que você está vendo com folhas não são da região e, normalmente, morrem rápido. As que não têm folhas são as plantas originárias da região. E assim que cai a primeira chuva, elas florescem. Na verdade, elas estão vivas e secas. Contudo, ao deixar cair às folhas, as plantas nativas sobrevivem mais. Se elas tivessem muitas folhas, as plantas teriam muito gasto de energia”. Após escutar atentamente o homem que o acompanhava, o ator refletiu: “isso é muito significativo, eu acredito que o povo nordestino também é assim. Precisa de muito pouco para ser feliz e para viver”, concluiu Fábio.

Outro ponto que mereceu bastante destaque na nossa conversa, foi o processo de criação musical. Enriquez elogiou os músicos, enfatizou a importância do roteirista e responsável pela maioria das letras das músicas que compõe o espetáculo, Bráulio Tavares, por dar toda a segurança ao elenco e, também por ser um profundo conhecedor do legado de Suassuna. Mais uma vez , o ator destacou a união do grupo nesse processo de criação.

De fato, ao se aprofundar na vida e no legado deixado por um dos maiores amantes da cultura brasileira, que tinha nas artes a maneira de se expressar, natural perceber a admiração de Fábio Enriquez pelo escritor. Apesar do espetáculo não ser uma biografia, a riqueza deixada por Suassuna, revela e transforma a realidade de muitos brasileiros.

Foto Divulgação

Para o ator, o musical é uma homenagem, que tem no homenageado um exemplo a ser seguido. O espetáculo tem o objetivo de trazer um pouco do olhar e transmitir a essência deixada por Ariano, que é: a valorização da cultura brasileira.

Podemos esperar, neste final de semana, um grande espetáculo, com a mais pura arte, beleza e encanto. Que o picadeiro esteja montando, que a magia aconteça e que a parte lúdica da vida ganhe ou renove o seu significado. Suassuna — O Auto do Reino do Sol’, simplesmente, imperdível!

SUASSUNA — O AUTO DO REINO DO SOL

Uma encenação de Luiz Carlos Vasconcelos
 Texto: Bráulio Tavares
 Música: Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho
 Idealização e Direção de Produção: Andrea Alves

Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros.

Atriz convidada: Rebeca Jamir
 Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune

Cenografia: Sérgio Marimba
 Iluminação: Renato Machado
 Figurinos: Kika Lopes e Heloisa Stockler
 Design de som: Gabriel D’Angelo
 Assistente de direção: Vanessa Garcia
 Coordenação de Produção: Leila Maria Moreno
 Produção Executiva: Rafael Lydio e Raphael Baêta

SERVIÇO

Teatro Municipal de Uberlândia

Dias 4, 5 e 6 de maio

Sexta e sábado, às 20h30. Domingo às 19h.

Ingressos

1º Lote R$ 70,00/R$ 35,00

2º Lote R$ 100,00/R$ 50,00

Ingressos antecipados com preços promocionais.

Vendas online: www.megabilheteria.com

Duração: 120 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Gênero: Musical

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