Ao Mestre com carinho

Fique pensando: qual a melhor maneira de descrever o espetáculo ‘Suassuna — O Auto do Reino do Sol’? Uma peça, com riqueza nos detalhes, desde a caracterização das personagens ao cuidado ímpar com a preservação e, conseguintemente, com a continuidade do legado deixado por Ariano Suassuna. Além disso, podemos ressaltar que o espetáculo é capaz de levar o público a uma reflexão mais profunda: afinal, nós brasileiros sabemos valorizar a vida e compreender a morte? Devemos valorizar o que somos ou o que temos? Quais devem ser nossos objetivos? Uma trajetória de aventuras e conhecimento, ou a provável segurança de um futuro? Que muitas vezes não é o que planejamos.

Essas questões primordiais da existência humana eram sempre trazidas à tona por Suassuna e, de maneira marcante, estiveram presentes no Teatro Municipal de Uberlândia neste final de semana.

Foto: Divulgação

Quando o ator Fábio Enriquez fez a seguinte afirmação: “todos nós brasileiros, temos algum sertão em nós. Não é uma questão ser nordestino, mas de ser brasileiro”, pude realmente compreender o tamanho e o significado destas frases.

Apesar de ser castigado pela seca, pela pobreza e, de certa maneira ainda possuir leis “próprias”, o povo do sertão nordestino ama a sua terra, valoriza sua cultura, conserva suas raízes e luta contra as injustiças.

Toda a riqueza desse povo foi celebrada por Ariano Suassuna, que valorizava os costumes, as tradições, a língua, a dança, o riso e a música da região. Por outro lado, contestava a morte e entendia que a força do povo nordestino é oriunda da fé inabalável e, simplesmente pela fé, o sertanejo segue acreditando em dias melhores.

O escritor paraibano contou e criou maneiras de descrever a realidade do nordeste, de tal forma, que as obras dele superaram as suas raízes, ganharam o Brasil e mundo. Isso ocorreu, pois os questionamentos feitos por Suassuna provem da realidade brasileira, independentemente, da sua região.

O escritor conseguiu humanizar o sertão por meio da arte. Ele aproximou o Brasil do sertão, pois os causos, as histórias, os dramas, a angustia, os medos e os sonhos são inerentes ao ser humano.

Esse legado está presente na peça “Suassuna — O Auto do Reino do Sol”. O espetáculo remete as obras mais marcantes do escritor paraibano, algumas de maneira mais densa, outras de forma sutil. Valorizando, o improviso, a dança, a música, o teatro e o circo.

Por isso podemos concluir: que se Ariano Suassuana estivesse na plateia, sem dúvida nenhuma, ele aplaudiria e se emocionaria com o espetáculo. Ariano teria a certeza que seu legado continuaria, pois os seus discípulos aprenderam, muito bem, com o mestre.

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