Supercombo e Plutão Já foi Planeta concedem entrevistas exclusivas após apresentações que…

Não poderia fazer apenas uma matéria do Festival Timbre, afinal, foram muitos dias de festa. Além do festival proporcionar diversão e entretenimento de qualidade, o evento também deixou sua mensagem de protesto e resistência contra um sistema falido, cheio de rótulos e preconceitos.

Essa mensagem ganhou ainda mais força no segundo dia do Timbre. Marcado para acontecer na parte interna Teatro Municipal, o evento reservou um momento de protesto, no qual pessoas que estavam localizadas em pontos estratégicos do teatro, mostraram indignação ao enfatizar números alarmantes, os quais compravam a descriminação sofrida pela mulher, pelo negro e pelo homossexual. Não por acaso, o Timbre preparou essa manifestação. No dia 14 de março, deste ano, Marielle Franco foi assassinada, no Rio de Janeiro. Ela foi responsável por denunciar vários abusos da Policia Militar (PM) e também por ser uma voz atuante na luta por um maior espaço da mulher na sociedade. Exatamente seis meses após o crime, a plateia em coro questionava: “quem matou Marielle Franco”?

Depois deste registro, que se faz necessário, ainda mais em um ano de eleições, vamos falar da celebração, da energia e tudo que rolou no Teatro Municipal, na última sexta-feira. Para mim, particularmente, foi uma noite especial. Tive a oportunidade de bater um papo com o Supercombo e com Plutão Já foi Planeta.

A banda de Natal subiu ao palco primeiro e fez uma apresentação que incendiou o público. Logo nos primeiros acordes, Natália Noronha inflamou a plateia, fazendo com que todos se levantassem da poltrona, sendo que muitos foram para frente do palco, inclusive eu! O grupo apresentou sucessos dos dois primeiros álbuns e a música lançada este ano, intitulada “Estrondo”. Com uma camiseta escrita GRL PWR, estampada em um pedestal, simbolizando o poder feminino, a banda deu seu recado, fez todo mundo dançar e, certamente, conquistou mais fãs mineiros.

Foto: Igor Castanheira

Depois dessa performance, tive o prazer de conversar com eles. Simpáticos e muito alegres, os jovens me deixaram bem tranquilo e a vontade durante a entrevista. Nós conversamos sobre como foi a produção de “Estrondo sobre o poder da mulher, influências e novos projetos.

Mostrando uma pegada diferente na nova música de trabalho, “Estrondo”, os músicos explicaram o porquê dessa mudança e o motivo pelo qual a mesma ocorreu. “O trabalho anterior teve um tema sem a gente querer, mas esse tema teve tudo a ver com nossa mudança para São Paulo. Ele falava muito de saudade. ‘Estrondo’ tem uma reflexão do que a gente tava sentindo. A sonoridade tem uma coisa mais seca de São Paulo”, comentaram os artistas. Sobre a letra, Natalia disse que ela é mais “sensual” e que utilizou uma linguagem metafórica para escrever a canção.

São muitas influências musicais, desde a música regional até as mais variadas vertentes do rock, dentre elas, o progressivo. Essa mistura faz a banda criar sua própria identidade e conquistar um público fiel.

Claro, não poderia deixar de abordar o tema do festival com eles. Afinal, a banda do Rio Grande do Norte é uma grande representante do movimento que está acontecendo. “Nossa Voz, Nosso Poder” se aplica sim a Plutão Já Foi Planeta! Vitória e Natalia levantam a bandeira pela valorização das mulheres na sociedade. “Quando a gente começou, só tinha Plutão com mulheres na banda. A luta da mulher está crescendo e efervescendo, com isso, os festivais estão abrindo mais os line-ups para mulheres e mulheres negras”, destacou Natalia. Mas essa história teve um começo. “Isso é como um ciclo, toda, vez que saía e via uma mulher no palco, buscando seu espaço, servia como uma inspiração”, concluiu Vitória.

E para os fãs que estão ansiosos por novidades, a banda não para! Os jovens já estão trabalhando em um novo projeto, que deve ser lançado no próximo ano.

Além desse papo superanimado com o Plutão, o dia reservou também a performance do Supercombo, atração mais esperada da noite. Os meninos de Vitória (ES) mantiveram a vibe lá em cima e fecharam a noite com um show repleto de sucessos, além tocar pela primeira vez a canção “Maremotos”, que já estava na boca dos fãs, que bom é a internet, não é mesmo! Durante a apresentação, Toledo e Pedro Vaz chamavam a galera, assim como no show do Plutão Já Foi Planeta, também tivemos momentos da apresentação guiados pelas luzes dos celulares. E, ao som de “Piloto Automático”, o grupo encerrou a noite em alto astral.

Foto: Igor Castanheira

Depois do show, eles foram muito receptivos e carinhosos, em um clima muito descontraído, nós conversamos sobre a cena independente, videogame, influências e futuro.

A cena independente é forte! Temos muitas bandas de qualidade buscando o seu espaço. Infelizmente, o rock não atinge a grande mídia. “O trabalho é ardo, rock não é um estilo tão popular, mas a gente segue resistindo, fazendo o que a gente acredita. A cada ano a gente sobe um degrau, é um trabalho de formiguinha”, enfatizou o Leonardo. O vocalista ainda destacou que a turma do rock se conhece, se ainda não conhece, pelo menos, ouviu falar. É sempre um ajudando o outro. O Supercombo já fez parcerias com Francisco El Hombre, Medulla, só para citar algumas.

Quem conhece a banda, sabe que há diferenças entre os quatro álbuns lançados. “A gente foi amadurecendo com as músicas. O que virá no próximo disco é o que a gente sempre fez, porém, com uma cara nova, uma evolução, uma maturidade. Com temas mais contundentes e contemporâneos”, disse o cantor. E sobre os próximos trabalhos, o grupo brincou: o Supercombo é um combo de influências e uma dessas influências é o Radiohead, alguma coisa ligada ao grupo inglês deve aparecer no próximo disco, previsto para sair em 2019.

Claro, falei de videogame com eles, afinal Leonardo é um grande fã de games. Fui nostálgico, citei o Super Nintendo, mas o Léo relembrou os primeiros jogos do Mastersystem e, desde então, não parou mais.

Além de Plutão Já Foi Planeta e Supercombo compartilharem das alegrias e as dificuldades da cena independente, os grupos têm outra coisa em comum. Ambos participaram do programa da Rede Globo, “Superstar”. Conquistando assim, mais visibilidade e, consequentemente, levaram suas mensagens ao maior número de pessoas. Esperamos que os dois grupos conquistem cada vez mais espaço e possam estar ainda mais em evidência, pois qualidade para isso eles têm.

Mas, se você pensa que a matéria está acabando, calma! O segundo dia do Festival Timbre ainda teve mais. Antes das bandas do nordeste se apresentarem, quem subiu ao palco do Teatro Municipal, em uma apresentação conjunta, foi Gabriel Gonti e OutroeEu. Em clima de muito romance, eles embalaram a noite dos apaixonados e de muitos jovens que acompanhavam as duas performances com muita euforia e entusiasmo.

Gabriel, natural de Patos de Minas, estava emocionado por poder tocar no palco do Teatro Municipal. O Jovem demonstrou talento e cantou músicas românticas que fizeram os casais ficarem mais apaixonados. Gabriel até batizou uma música durante sua apresentação. Pela primeira vez, ele tocou a música, que agora se chama “Nuvens”, claro com a aprovação da plateia.

Na mesma sintonia, na sequência, subiu ao palco OutroEu. Os cariocas, com mais sucessos, tiveram suas músicas cantadas por boa parte do público. Como Gabriel e OutroEu dividiram o mesmo espaço, quando a performance da dupla do Rio de Janeiro terminou, Gabriel retornou ao palco e, com muitas palmas e alguns gritos de “lindos”, eles se despediram de Uberlândia.

Agora sim, estou quase chegando ao fim, mas antes de finalizar a matéria, quero agradecer a Vivian e a Olívia que me salvaram. Elas me emprestaram um carregador portátil e, por conta dessa ajuda, consegui escrever essa matéria.

E assim foi o segundo dia de festival, com muito romantismo, protesto e rock da melhor qualidade. E não pense que acabou, ainda esta semana tem outra matéria do Timbre para vocês.

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