Young Lights, Joana Bentes e Pássaro Vivo contam um pouco da vida na estrada com exclusividade
Há quem diga que a música deve se renovar, pois a mesma está repetitiva, por outro lado, há quem acredite que, atualmente, a qualidade das músicas produzidas no país é inferior se comparada há anos atrás. Afirmo a vocês, a música está sempre se renovando e que há música de muita qualidade sendo produzida pelo Brasil afora, basta procurar.

A internet está disponível para qualquer pessoa divulgar e trabalhar seu talento. Claro que todo artista almeja atingir uma grande massa, mas isso não quer dizer que ele não tem um público fiel, pode ser em menor proporção, no entanto, quem o acompanha sabe cada detalhe de sua carreira. Logicamente, quanto maior o tempo de estrada, maior será o número de fãs.

Todo artista conhece muito bem essa trajetória. O que, no começo é só brincadeira, acaba se tornando cada vez mais sério. E, por perseguir esse sonho de levar sua mensagem a um maior número de pessoas, o artista continua buscando incansavelmente algo novo, algo que o faça vibrar. E, por este motivo, ele precisa estar em contato com o público, porque o mesmo será o termômetro do trabalho.
Essa resposta do público não pode ser medida apenas por comentários e likes virtuais, essa energia tem que ser recíproca, entre o artista e o público. É nesse momento que os festivais ganham importância. Na divulgação de novos talentos, na descoberta de novas tendências e na tentativa de mudar o cenário, cada vez mais engessado da mídia convencional. Nos festivais, podemos acompanhar várias dessas tendências, que estão espalhadas pelo território nacional, em um mesmo lugar.
Com certeza, o Festival Timbre cumpriu muito essa função! No primeiro dia festa, em uma praça, talentosos artistas se apresentaram. Mesmo com estilos diferentes, cada um conseguiu transmitir sua mensagem. Todos eles com bastante qualidade.
Poder acompanhar artistas independentes, alguns com mais tempo de estrada, outros começando, faz a gente entender um pouco desse processo. Boa parte dessa cena independente se conhece e se ajuda, afinal, eles têm o mesmo objetivo. Ver o artista carregando o próprio instrumento, ver ele procurando contato com o público e também andando entre as pessoas, buscando receber o carinho e a energia de cada um que apreciou sua apresentação, nos faz compreender o tanto que a música significa para cada um deles.

Nesse clima agradável, conversei com três talentosos artistas. Com estilos diferentes e características específicas, todos aproveitaram a noite para se divertir e conquistar mais admiradores. Joana Bentes, Pássaro Vivo e Young Lights levantaram a galera que estava acompanhando a primeira noite do Festival Timbre.

Joana Bentes abriu a noite com muito romantismo, a jovem estava nervosa no início, mas foi se soltando aos poucos. Esse nervosismo não atrapalhou o decorrer da sua apresentação. Contando um pouco da sua trajetória, Bentes conquistou a plateia e, com uma voz potente, a artista embalou muitos casais. Utilizando apenas uma guitarra, Joana soltou a bela voz e cantou músicas do seu primeiro EP, intitulado “Entre”, além de tocar alguns covers.

Após descer do palco, Joana esbanjou simpatia. Nós caminhamos para longe do barulho e sentados no meio-fio e batemos um papo descontraído sobre música, influências, vida e curiosidades.
A cantora contou que começou a tocar aos nove anos de idade e, desde então, não parou mais. Natural de Vitória (ES), mas atualmente morando em Belo Horizonte, Bentes procura aperfeiçoar sua voz estudando canto popular, em Barbacena. Suas influências deste gênero são: Rosa Passos e Vanessa Moreno. Muito a vontade, a capixaba disse que não teve tempo para se adaptar ao ambiente, pois havia chegado ao local do show minutos antes de subir ao palco, por isso, o nervosismo inicial.
Quem escuta a voz doce de Joana no EP, imagina uma performance mais calma, com voz e violão. Foi exatamente isso que pensei. Estava enganado, vi a jovem buscar algo mais voltado para o pop/rock e blues, confesso foi uma surpresa! Por conta dessa vontade de misturar vários ritmos, a artista não quer ser rotulada como cantora de um único estilo.
Nosso papo foi tão descontraído, que ao contar um pouco da minha história, Joana lembrou uma apresentação, em sua cidade natal, na qual dividiu o palco com um intérprete de Libras. “Foi um diferencial no show, parecia que ele estava cantando”, concluiu a cantora. Consciente de que as pessoas com singularidade não costumam acompanhar eventos culturais com frequência, a jovem divulgou alguns vídeos em suas redes para mostrar que todos nós podemos curtir uma festa, cada um a sua maneira.
A noite estava apenas começando, depois do romantismo de Joana Bentes, foi a vez do Pássaro Vivo levantar a plateia. Com um som alternativo, com um pouco de rock psicodélico e muita influência de música regional, o grupo fez todo mundo dançar. Apesar do clima festivo, a banda fez questão de fazer seu protesto contra o preconceito e o momento político que estamos atravessando.

Foram com essas misturas de estilos musicais que a banda, de Patos de Minas, encerrou sua performance. Ao som de Clariô (do “Auto da Catingueira”), de Elomar Figueira Melo, os músicos se despediram. Clariô, inclusive, será o próximo single do grupo e será lançado após as eleições.
Para tentar entender da onde vem tanta inspiração, troquei uma ideia com o Alan e o Lucas. Lucas disse que estuda a música regional brasileira a seis anos e, por isso, suas canções têm um pouco de cada canto do país. Apesar das letras, em sua maioria, serem do vocalista, Alan destacou que todos do grupo participam do processo criativo. Ambos disseram que a maior satisfação é ver a galera curtindo. Porque, tudo que eles fazem, é do fundo do coração e que a mensagem que o grupo quer transmitir é de transformação e que mesma só acontece, através do amor.
Depois dessa mensagem revigorante, vamos falar da última atração da noite. Young Lights chegou com ótimas credenciais ao festival. Os dois discos lançados pela banda foram elogiados pela crítica e fizeram com que os mineiros se consolidassem na cena independente. Com um som baseado no rock inglês das antigas, misturado com o indie rock mais recente e uma lembrança de Coldplay, o grupo contagiou o público com a energia empolgante do vocalista, Jay.

Com discursos de apoio ao cenário independente e de valorização aos novos artistas, o grupo deu seu recado e, nos braços do povo, o líder da banda fechou a noite, deixando o gostinho de quero mais.
Nem parecia que o vocalista tinha acabado de se apresentar, ainda com toda a adrenalina do palco, Jay conversou comigo sobre a performance da banda, o cenário independente e projetos da carreira.
O vocalista reconheceu a semelhança de timbre com Chris Martin (Coldplay), mas garantiu que é coincidência. Jay também explicou o por que das músicas da banda serem em inglês. “ É minha língua nativa, estou há oito anos no Brasil, foram 14 nos EUA”, explicou o jovem. Ele aainda brincou: você percebe que tropeço em algumas palavras em português durante a entrevista”. Mesmo com essa dificuldade, o músico tem o desejo de gravar um álbum na língua portuguesa
Apesar da caminhada do grupo ser bem-sucedida no cenário independente, os músicos não conseguem viver, exclusivamente de música. Esse é o grande sonho da banda, viver da sua arte.
Esse foi o retrato de alguns artistas talentosos que passaram na cidade durante o Festival Timbre. Eles provam que, independente do estilo, há músicos e canções de qualidade, basta você querer, basta ter a curiosidade de procurar.

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