Quando falo que a arte pode transformar as pessoas e melhorar o mundo, é porque realmente acredito que é este o propósito dela. Um show, um filme, uma exposição, o teatro e, tantas outras formas de expressá-la, podem mudar a percepção de uma pessoa no que diz respeito a sua própria realidade, fazendo com que a mesma crie ou continue perseguindo seu sonho.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo, na noite deste sábado (29), ao assistir o espetáculo “O Som e a Sílaba”. De forma leve, divertida, emocionante e, para mim reveladora, a peça, escrita e dirigida por Miguel Falabella, é uma inspiração!
“O Som e a Sílaba” consegue transmitir uma mensagem forte e, ao mesmo tempo, divertir a plateia que esteve presente no Teatro Municipal. O espetáculo trabalha com um tema de difícil abordagem, o autismo, que muitos desconhecem, e por isso, pode causar um pouco de resistência. Essa desconfiança pode ser maior ao saber que o musical aborda canções de um gênero nada popular: a ópera. A essas pessoas, o que posso dizer? Só lamento! Vocês estão perdendo a oportunidade de conferir uma das melhores peças que já vi, não é atoa, que o espetáculo coleciona prêmios.
Com muito cuidado e talento Alessandra Maestrini e Mirna Rubim conseguem entreter e emocionar a plateia e, ao mesmo tempo, passar uma mensagem importante. Apesar de termos condições diferentes e mentes singulares, nós precisamos nos unir, sendo assim, as próprias atrizes definem a peça como: “um abraço, muito amoroso, sem muita pressão”.
“O Som e a Sílaba” gira em torno de Sarah, uma jovem com Síndrome de Asperger ou Savant. Para entender a semelhança entre as duas síndromes: estudos atuais consideram os dois transtornos de desenvolvimento como idênticos, variando ao longo de um continuo de gravidade. (GAUDERER,1997).

Sarah busca realizar sonhos, uns aparentemente simples, outros mais complicados, como qualquer pessoa, não é mesmo? Mas no caso dela, por ter dificuldade de socialização e uma facilidade extrema de memorização, praticamente tudo que faz ou que busca fazer, é mais complicado.
A fim de desenvolver suas habilidades, Sarah procura uma professora de ópera, Leonor. No começo, há uma resistência, porém no decorrer da trama, as duas percebem que precisam uma da outra, fazendo com que a relação entre as duas fique cada vez mais próxima. Enquanto Sarah busca o seu lugar no mundo, Leonor, por sua vez, convive com as dores e marcas de um passado que já foi glorioso. Com base nesse relacionamento aluno-professor que ocorre, em sua maior parte, dentro do apartamento de Leonor, a história é desenrolada.
Temos que destacar o trabalho das protagonistas. Mirna e Alessandra estão completamente à vontade no palco. Essa sintonia se da por conta de mais de 10 anos de amizade. As duas conseguem transmitir, de maneira leve e bem divertida, uma mensagem, que em um primeiro momento, tem tudo para ser um drama, mas não é. Eu garanto! Com um humor simples e direto, em vários momentos, o público cai na gargalhada.
Claro que tenho que destacar a qualidade vocal das duas. Cantar ópera não é fácil, cantar ópera e ainda conseguir prender a atenção da plateia, é ainda mais complicado ainda. Alessandra e Mirna são artistas completas, que conseguem por meio do “Som e da Sílaba”, aperfeiçoar e demonstrar todas as suas habilidades artísticas em um único espetáculo.

Eu tive o prazer de conhecer as belas Mirna Rubim e Alessandra Maestrini. Posso dizer que fiquei ainda mais admirado com tamanha simplicidade e muito honrado pelas palavras de carinho e apoio ao meu trabalho.
Você que não pôde comparecer ao teatro, neste sábado, garanta já o seu ingresso para conferir essa história divertida, emocionante e inspiradora. “O Som e a Sílaba” está em cartaz, no Teatro Municipal, neste domingo (30), às 19h.
Serviço:
Pontos de venda:
Os ingressos estão sendo vendidos nos valores de R$80 (inteira) e R$40 (meia) e podem ser encontrados nas lojas Provanza do Uberlândia Shopping e Center Shopping, no Bouclé Salon e no site www.megabilheteria.com.
FICHA TÉCNICA
Texto e direção: Miguel Falabella
Elenco: Alessandra Maestrini e Mirna Rubim
Design de luz: Wagner Freire
Design de som: Mario Jorge Andrade
Figurinos: Ligia Rocha e Marco Pacheco
Visagismo: Wilson Eliodorio
Cenário: Zezinho Santos e Turíbio Santos
Artes
Fotografia: Priscilla Prade
Diretor de criação: Marco Griesi
Designer: Kelson Spalato
Criação: TuaAgência
Operador de luz: Alessandra Marques
Operador de som: Mario Jorge Andrade
Cenotécnico: Isaac Tibúrcio
Camareira: Michele Vono
Assistente de produção e contrarregra: Marlon Bandarz e Eduardo William
Produtora assistente e captação de apoios: Carla Schvaitser
Produtora executiva: Marisa Medeiros
Direção de produção: Deco Gedeon
Realização: Maestrini Produções

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