Em um mundo acelerado, aparentemente evoluído por conta da tecnologia, nós estamos nos esquecendo de apreciar o mundo em nossa volta e de aproveitar os pequenos prazeres da vida. Estamos perdendo contato com a natureza e os animais, ao mesmo tempo em que não construímos uma relação familiar saudável.

É contraditório dizer que quanto mais conectados com mundo, mais solitários nos tornamos. Isso ocorre porque estamos cada vez mais dependentes e ansiosos por uma “novidade”. A nossa ansiedade é a nossa companhia e a nossa destruição, porque criamos a ilusão de que com apenas um clique podemos saber e conhecer sobre tudo e essa falsa impressão nos da à sensação de que somos poderosos e, assim, julgamos tudo e todos. Por acreditar que somos “sábios”, estamos caminhando para o isolamento e, em contrapartida, nos tornando cada vez mais ignorantes com a nossa verdade absoluta criada e consolida em uma era digital que nos afasta ao invés de nos unir.
Sendo assim, a arte tem um papel fundamental de resgatar valores humanos e de reconstruir conexões reais entre pessoas e a natureza e a importância da família em nossa própria evolução, estabelecendo o conhecimento por meio de experiências que trazem uma realidade diferente da nossa.
O teatro é uma expressão artística que é capaz de transformar vidas em uma noite com o abrir das cortinas, pois cada espetáculo traz uma história, preserva uma cultura e é capaz de nos fazer rir, chorar e refletir sobre vários pontos da sociedade e a nossa verdadeira essência.
Em tempos em que não estamos dando conta de absorver e interpretar tanta informação, o espetáculo “Veludinho”, escrito em 1976, se torna tão necessário atualmente. Isso porque ele resgata a relação entre o homem e a natureza e a necessidade de estabelecermos conexões reais, enfatizando a importância da família no desenvolvimento de uma criança. A peça estará em cartaz, nesta quinta-feira (13), no Teatro Municipal de Uberlândia, a partir das19h. Garanta o ingresso no site
“Veludinho” é uma história que atravessou décadas e foi adotado por várias escolas em todo o país. A obra é vencedora de três prêmios literários, Prêmio de Literatura Infantil, pelo Instituto Nacional do Livro; Prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e Prêmio Jannart Moutinho Ribeiro, da Câmara Brasileira do Livro. O título traz o nome do personagem principal da história, Veludinho, um passarinho muito fofo, macio, belo e amado, que o pequeno Eduardo encontrou por acaso, ou melhor, por acidente.
Na história, Martha Pannunzio mostra que há como a meninada se divertir sem agredir a natureza, principalmente os passarinhos. É a retratação de uma amizade fiel, daquelas que ninguém quer perder; e de que criança quando fere um ser querido, ela sofre muito mais que o ferido.
A encenação acontece fora do contexto da atualidade, remetendo o público a uma cultura diferente da de hoje, resgatando brincadeiras antigas e cantigas de roda. “Veludinho” também busca passar a mensagem de preservar o meio ambiente, respeito aos pais, dizer não à violência e principalmente o carinho pelos animais.
Ainda que seja uma história vivida no passado (47 anos atrás) “Veludinho” transmite ao público de todas as idades, a fundamental necessidade de proteger a natureza e o meio ambiente. A trilha musical é composta pelas canções: “Velho Arvoredo” de Elis Regina – ”O Passarinho Cantou” de Ivan Lins – “Feito Borboleta” de Luís Eduardo Magalhães “Deixa de manha” de Palavra Cantada – “Espinho na Roseira” de Karna – “Sitio do Pica-Pau Amarelo” de Gilberto Gil – “Alegretto” de Amadeus Mozart entre outras.
Apesar de ser um espetáculo infantil, “Veludinho” traz uma importante reflexão para os adultos desta geração de tela, de tanta informação, pouco conhecimento e muita insegurança e incertezas que quer desenvolver o mundo, mas se perdeu na sua essência.

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