Obrigado Carlos Drummond de Andrade por revelar para o Brasil um diamante raro. Cora Coralina não tinha pretensão de ganhar holofotes com a sua poesia. A sua escrita trazia muito mais que a sua realidade, pois a poetisa não se prendia ao que o mundo lhe dava.

Aninha ou, simplesmente Cora, conseguiu enxergar na simplicidade da vida do interior uma beleza rustica e imperfeita. Com leveza, entre um doce e outro, a escritora conseguia deixar uma doçura em cada poema.
Sem métrica ou formula, a autora fez da sua caminhada uma grande aventura e as suas histórias não só ganhou o mundo, como também inspirou milhares de mulheres. Ao contar sobre o seu cotidiano de uma forma tão singular e bela, Cora foi o espelho de tantas outras. Ela não se importava com a perfeição, fazia da imperfeição humana e as suas emoções, muitas vezes confusa, o seu material bruto. Reparava nos detalhes, no ambiente e nas singularidades de cada um como o ponto de partida para sua obra.
Com uma infância difícil e uma vida comum, a doceira escrevia para todas as mulheres que são vistas nela. As palavras foram o refugio da poetisa e serviam como um alento à dificuldade diária. Ela gostava de conversar e conhecer as pessoas e fazia destas prosas a sua fonte de inspiração.
Cora Coralina escrevia como uma forma de terapia, não fazia questão do sucesso, também não se importava com os críticos. Viveu de maneira simples, levando a sua arte a quem a procurasse.
Cora nos remete a um tempo que nos faz falta. Hoje não recebemos cartas, não temos tempo para conversar com o vizinho, não tomamos café com os amigos, o tempo nos consome e as nossas obrigações vão domando a nossa essência. Estamos ficando presos em telas e curtindo o que não conhecemos.
O lindo e emocionante espetáculo “Cora do Rio Vermelho” nos faz refletir sobre isso. O quanto estamos perdidos com a tecnologia? Qual a expectativa que criamos? O que estamos inventamos? Estamos perdendo e empatia e nos tornando egoístas?
A poetisa conseguiu transformar e inspirar a vida de muitos com uma coragem de mostrar o que todos nós vemos, mas poucos conseguem enxergar o quanto belo é o simples e também o quanto valioso são as nossas relações.
Cora Coralina fez do tempo o seu aliado e como as palavras foram sua melhor amiga, a vida lhe deu um presente. Foi por meio de uma carta, escrita por Carlos de Drummond de Andrade, que a sua obra passou a ser reconhecida.
Esse reconhecido veio tarde, mas ela não buscava isso, lembra? A doceira sabia: “o que importa na vida não é o ponto de partida, mas a caminhada”, Cora Coralina.

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