Sucessos, reflexões e um sentimento de nostalgia marcam a segunda edição do Uberlândia Music

É muito difícil discrever as emoções de uma noite que reúne no mesmo palco Humberto Gessinger e Legião Urbana com André Frateschi. Digo isso, porque, ao escutar as músicas que marcaram a minha adolescência, além de me emocionar e, por diversas vezes cair no choro, também me levou, no calor do momento, a refletir sobre duas questões distintas: será que o ser humano está evoluindo? Por que estamos caminhando para repetir os mesmos erros?

Nós podemos imaginar que as canções compostas por ambos, a maioria delas, há mais de 30 anos, teriam um significado para aquele momento específico. No entanto, três décadas depois, parecemos estar estagnados ou, pior, involuindo. Podemos citar trechos de canções de Renato Russo como: “Mais Do Mesmo”, “Que País É Este”, “Metrópole”, entre outras. Todas essas músicas compostas há mais de 30 anos, mas que se encaixam a qualquer momento político, isso devido ao sistema falido e arcaico. Com um agravante, o risco de muitas questões criticadas de maneira direita ou indireta nas obras desses artistas voltem ou sejam legalizadas como a falta de fiscalização das terras indígenas, a legalização das milícias, a destruição acelerada da natureza, a desvalorização do patrimônio nacional, entre outras, fazem dessas obras hinos atemporais.

Não bastasse esse descaso perigoso, questões de conflitos existenciais inerentes ao ser humano parecem estar se agravando. Vamos citar, desta vez, Humberto Gessinger: “Eu Que Não Amo Você”, “Somos Quem Podemos Ser” “Dom Quixote”, relatam emoções distintas, mas ao mesmo tempo elas se misturam. Essa junção de emoções e sentimentos sempre foi complexa e de difícil leitura.

No entanto, os sentimentos e as emoções estão cada vez mais incompreendidas, causando depressão em milhares de pessoas, provocando mais discussões, fazendo com que a solidão esteja cada vez mais presente.

Em um mundo que fica mais difícil se esconder, onde, todos podem se conectar instantaneamente e muitos se sentem na obrigação de ser aquilo que não são. Essa frustração de não conseguir causa uma angustia e faz com que nós nos isolemos e, desta forma, alimentamos o nosso egoísmo.

Com essa leitura choro de emoção por acompanhar ídolos de perto, mas por outro lado, me causa espanto, desespero e frustração. O ser humano se preocupa muito com o futuro, faz planos e se projeta, mas nunca percebe que esse modo automático de viver é repetitivo, pois raramente acertamos as previsões ou confirmamos nossas expectativas, fazendo com que nossos planos mudem constantemente. Essa lógica faz a gente esquecer de viver e valorizar o presente e as pessoas.

A noite deste sábado (6) foi gelada, mas muito quente com uma mistura muito grande de emoções que se alternavam a cada sucesso executado. Ela me trouxe a nostalgia, me proporcionou momentos inesquecíveis e me fez pensar.

O rock nacional estava em seu estado mais puro de contestação, confronto e questionamento. Essa mensagem sempre terá força enquanto não transformarmos nossa própria realidade e quebrarmos nosso medo de mudar.

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