Viva aos reds e aos citizens

Não tem jeito, ninguém irá agradar a todos. Mas todos querem opinar, orientar, dizer o que é certo ou errado e dizer que solução x ou y é o melhor caminho. Nós seres humanos gostamos de meter a colher onde não nos corresponde. Queremos ditar as nossas regras, inserir nossos valores e embutir os nossos preconceitos e hipocrisias, sempre escondidos ou camuflados, sobre tudo, principalmente sobre o que achamos que conhecemos.

Sabe aquela teoria que o esporte é para inclusão, é para aprender a ganhar e a perder, é para compreender o coleguinha do lado, para entender que o seu espaço começa aonde termina o do outro, é viver de forma saudável na sociedade e sim, criar uma competitividade afim de superar os limites. É linda, né? No entanto somos culturalmente ensinados que temos que vencer alguém ou escolher um determinado lado para sermos felizes. 

Deste modo iremos sempre estar perdendo para um lado ou para o outro. Temos que nos acostumar com as críticas, geralmente ofensivas e sem critério, e seguir em frente com a nossa convicção. Isso significa aguentar pessoas falando o que deveríamos fazer ou pessoas nos exaltando como deuses pelo que fazemos. Viram que estamos sempre nos extremos? Temos que nos equilibrar e discernir com sabedoria o que pode ser feito para evoluirmos sem nos empolgar com o excesso de elogios, contudo não devemos nos deprimir e desistir de tudo que acreditamos para nos adaptar ao que os outros querem.

Essa cobrança pela perfeição a nível global acontece muito por meio do esporte. Isso envolve cultura, política, muito dinheiro, humanidade e um mecanismo cruel para manter essa roda girando. Pois ela constrói e destrói sonhos na mesma velocidade e quando percebemos, estamos apenas sobrevivendo. E, pior, muitas vezes percebemos que nos perdemos no caminho, pois demos ouvidos a x ou y, nos deprimimos com situações ou palavras  idealizadas ou sugeridas por alguém ou, nos empolgamos com elogios e pessoas que só alimentam nosso ego para nos satisfazer.

E como o esporte é um manipulador de massa e influência gerações para manter esse sistema sólido, todo esse exagero ganha proporções globais e criticas e reações muito exacerbadas,  certamente determinam e estimulam reações e emoções dos torcedores.

No último fim de semana, tivemos uma última rodada do Campeonato Inglês impressionante com o Manchester City se sagrando campeão e o Liverpool ficando com a segunda colocação. Os torcedores dos Reds aplaudiram de pé os seus jogadores no estádio. Em outro ponto do país Grardiola, técnico dos citizens, exaltava o seu adversário. Exemplos a serem seguidos, a máxima de reconhecer e saber ganhar e saber perder.

Foto: GE

Do outro lado do mundo comentaristas discutiam erros e acertos de ambas as equipes e já criaram expectativas nos torcedores para a próxima temporada, nem esperaram acabar esta. Viram o tanto que parece fácil falar de esporte de uma maneira geral? Pessoas pegam recortes de uma temporada, fazem análise com base no que, muito deles têm conhecimento teórico e outros tantos têm conhecimento prático, mas de fato ninguém viveu o dia a dia de cada um para poder elaborar uma crítica mais profunda.

Neste mesmo fim de semana, Kylian Mbappé foi ao inferno na Espanha, ao mesmo tempo em que esteve no olimpo na França. Pois o atacante decidiu ficar em Paris. Criticas sobre o poder politico e econômico foram exaltadas no Real Madrid, ignorando muito da própria história em que muitas vezes os merengues foram os vilões pelo mesmo motivo. Os críticos espanhóis não souberam perder como a maioria de nós não sabemos. Utilizam de forma inconsciente e autorizada a hipocrisia, mas sabem que ao atacar o PSG e Kylian Mbappé irão provocar péssimas reações e emoções nos torcedores madridistas, fazendo com que o francês seja o inimigo número um na capital espanhola.

Foto: Super Esportes

Enquanto na França, o jovem é rei. Já manda e desmanda no vestiário, o que também é perigoso, pois o excesso de poder também lhe da a sensação de ser imune ao mundo. Isso geralmente não é uma boa mistura.

O atacante mais disputado do mundo hoje, pode ser superado na semana que vem quando a mídia e os empresários determinarem o novo Messi ou Cristiano Ronaldo, deixando o atual número um no mercado como um grande nome, mas sem os holofotes que ele já se acostumou a ter.

Na teoria o esporte é tudo aquilo que descrevi no começo do texto, mas na prática poucos têm a atitude que vimos na Inglaterra e muitos buscam olimpo que Kylian Mbappé conseguiu. No entanto estão dispostos a pagar o preço da exposição? Estão dispostos a serem atacados e exaltados por críticos que muitas vezes  são movidos pela emoção e tem uma visão rasa do jogo como todo e que inconsciente ou de forma consciente ajudam a manter essa loucura no mundo do futebol?

Nesse texto, usei o futebol como pano de fundo, mas vale para todos os esportes e a vida. Nós seres humanos aprendemos a criticar e a dizer o que é certo em relação ao outro, mas esquecemos de nos olharmos no espelho para enxergarmos as nossas imperfeições. Rimos muito da falta de conhecimento do outro, debochamos de algo que alguém fez e somos ásperos com o que o outro diz e não concordamos. Esse tipo de atitude está sendo normalizado, apontando o dedo e ganhando seguidores.

Temos que tomar cuidado, o esporte é manipulador utilizado para manter um mecanismo cheio de falhas, preconceitos e crueldades e pessoas pegam isso para apoiar suas posições ofensivas e que estimulam o pior do ser humano.

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