Mão de obra operacional no Brasil: principais desafios da atração de talentos

Diretor de RH aponta os motivos da escassez de talentos e os caminhos possíveis para atrair esses profissionais

A escassez de profissionais qualificados para compor a mão de obra operacional no Brasil tem se tornado um dos grandes desafios na gestão de Recursos Humanos. Esse cenário é influenciado por diversos fatores, como a digitalização, o avanço das novas tecnologias e da inteligência artificial, além da mudança de gerações e de cultura.

Tudo isso também impacta setores importantes da economia brasileira, como a indústria, a logística, os serviços e a agroindústria.

Neste contexto, destacam-se os obstáculos relacionados à atração de mão de obra operacional, segmento de grande relevância em termos de volume e estrutura. Por “operacional” entendemos trabalhadores ligados à produção, manufatura, logística, operação de máquinas, entre outros.

Glaucus Botinha, Sócio-diretor da Selpe Gente & Gestão, explica os principais motivos relacionados a isso, como o fato de as novas gerações demonstrarem menos engajamento com os modelos de contratação via CLT, buscando formas mais flexíveis e autônomas de atuação.

Além disso, a taxa de desemprego atual está em 6,2%, abaixo da média histórica de 9,9% (entre 2012 e 2025). Isso acirra a disputa por talentos e ativa a lógica clássica da lei da oferta e da procura, pressionando salários e benefícios. “É fundamental compreender qual parcela da população ativa e desempregada está efetivamente disponível e interessada em oportunidades formais de trabalho”, explica Glaucus.

Para o diretor, embora essenciais para a população mais vulnerável, a concorrência com auxílios governamentais também integra o quadro. “Ao conseguir um emprego formal, o beneficiário pode perder o seu direito, o que desestimula a busca ativa por vagas operacionais”, comenta.

Somado a isso, com a consolidação do PIX como meio de pagamento universal no Brasil, a formalização torna-se menos atrativa para muitos profissionais.

O cenário exige uma revisão estrutural em várias frentes. É preciso repensar os modelos de contratação, flexibilizar a legislação trabalhista, reduzir a carga tributária sobre o trabalho formal e aprimorar as políticas de distribuição de auxílios governamentais.

“Enquanto isso não acontece, caberá aos RHs das empresas exercerem seu papel com criatividade, inteligência e proximidade com as comunidades, investindo em estratégias de atração mais sofisticadas e personalizadas, parcerias locais e ações de médio e longo prazo”, reforça Glaucus.

Sobre a Selpe Gente & Gestão
A Selpe é uma consultoria de RH com divisões especializadas em todo o ciclo de Gente e Gestão. Oferece soluções estratégicas e tecnologias em executive search para posições estratégicas e de liderança nas organizações; em atração, seleção, desenvolvimento de líderes e equipes; e em projetos de gestão personalizados.

Além disso, atua no planejamento e execução de programas de trainee e estágio e na contratação de mão de obra para cargos operacionais, de especialistas ou técnicos, em grande volume ou com alta complexidade, para empresas de todos os segmentos de negócio.

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