Sonhos, resiliência e resistência, assim pode ser definida a primeira edição do Brazilian Bacon Day Uberlândia

Ricardo Simplício, artista independente com muitos anos de estrada, estava preparado para um sábado diferente, ao invés de tocar nas casas de shows da região, ele iria curtir um momento fã no Brazilian Bacon Day Uberlândia. Afinal, ele tem o projeto Tarja Preta, o melhor cover do Charlie Brown Jr que eu já vi. Por isso, o músico reservou o dia para ver os ídolos de perto.

Foto: Murilo

Nada mais normal, era para ser um sábado como qualquer outro, porém por volta das 17h, quando ainda estava em casa, ele recebeu e uma ligação! Aqui é o Pinguim e o Graveto, bateristas da banda, nos falamos por meio das redes sociais e durante uma entrevista o seu nome foi citado. Aconteceu um problema com o voo do Egypcio, vocalista do grupo, a gente viu o seu trabalho será que você consegue segurar umas músicas?

Ricardo, que tinha trocado mensagens com Pinguim via Instagram, se emocionou, respirou fundo, recuperou o fôlego e voou para o Uberlândia Shopping. No camarim trocou algumas ideias com os integrantes da banda e, dali, partiu para o hotel, onde ensaiaram. Todos ficaram convencidos que o vocalista poderia tranquilamente fazer o show.

Essa informação não poderia vazar antes da hora, no entanto, fiz questão de lhe dar um abraço antes dele subir no palco. Percebi a emoção, que o mesmo descreveu como um dia histórico e inesquecível! Poxa, há uma semana eu o vi “quebrando tudo” com um tributo sensacional, na Pelizer, e na semana seguinte, ele está dividindo o microfone com os seus ídolos, imagina como foram essas horas que antecederam a apresentação?

Músicas como  “Papo Reto”, “Só por uma Noite” , “Me encontra” “Tudo Que Ela Gosta de Escutar” fizeram a alegria dos fãs que lotavam o espaço.  O show seria maior, só que foi interrompido por conta do horário e do alvará de funcionamento. Ficamos com um gostinho de quero mais. O vocalista mandou bem demais, teve o friozinho na barriga, teve. Mas, quando a “porrada comeu”, se soltou e foi!

Ricardo realizou seu sonho e mostrou o seu talento para um público que não o conhecia. O artista conquistou muitos fãs e, certamente, incentivou, divulgou a propagou a cena independente da região. Você é gigante!

Egypcio, você fez falta! Sei que ficou chateado e frustrado por não estar compartilhando este dia com os mineiros, mas esperemos lhe reencontrar em breve.  Neste sábado, por conta de um problema no voo, uma enorme oportunidade se apresentou para um artista que vive a cena intensamente. Porém, poucas vezes, teve o holofote que alcançou nesta noite. Ricardo e tantos outros artistas merecem noites assim.

Depois dessa história fantástica, vamos ver o que mais rolou na primeira edição do festival. Quando entrevistei os Raimundos, pela manhã, tive a certeza que o show deles seria bom. Descontraído, animado e com uma alto astral contagiante, Digão cantou a sua história, brincou e destacou o talento do Marquinho, do Caio e, além de falar das virtudes do Jean, também contou um pouco da história do agora baixista. De roadie a integrante dos Raimundos, ao todo, são sete anos juntos. Este foi um dos momentos reservados para homenagear Canisso, que era membro da formação clássica da banda e que faleceu em março deste ano.

Teve as famosas rodas e muito bate-cabeça com “Eu Quero Ver O Oco” e “Puteiro em João Pessoa”. Mas também teve “Palhas no Coqueiro”  a “Mais Pedida”, “Mulher de Fases” e tantas outras. Viram, só sucessos!

Nessa linha de clássicos, a Venosa também deixou sua marca. Eu, que estava lá no fundo, consegui abrir caminho para chegar a grande e sentir aquela energia de perto.  Com um repertório que ia do rock nacional ao internacional, do punk, ao clássico e do indie ao hard rock, Barata e companhia fizeram  uma apresentação que contagiaram os fãs, mostrando também a força da cena local. A banda deixou o clima bem animado e energia lá em cima para as performances dos Raimundos e Charlie Brown Jr.

O evento contou ainda com Big Jack, cover do ACDC.

O festival mostrou muito da história de muitos artistas que lutam e se reinventam diariamente para seguir na estrada. Isso acontece no “uderground” e também no “meanstream”.

Charlie Brown Jr e Raimundos são grandes exemplos de luta, vontade, desejo, e determinação. As bandas passaram por diversas fases, tiveram várias alterações e perdas irreparáveis. Contudo, eles seguem. Porque, além do legado, os grupos têm que continuar construindo a sua história.

Chorão, Champgion e Canisso deixaram sua arte e a sua semente por aqui. Eles são reverenciados todos os dias por seus fãs e por quem admira e preserva a história do rock nacional. Todos  foram homenageados e saudados nesta noite. As formações atuais preservam e cultivam a história das quais todos fizeram parte em algum momento nessa jornada, que segue em frente e com muita força

Falamos muito coisa boa da primeira edição do Brazilian Bacon Day, que continua no domingo com uma série de atrações.

Sei que a organização do evento quis fazer o melhor e fizeram o melhor que conseguiram. Porém, certamente, para o próximo ano, haverá uma melhor gestão de tempo e uma preparação melhor caso haja algum imprevisto.

Aos fãs que criaram outras expectativas, vocês têm todo o direito de ficar chateados, contudo teve tanta coisa legal para ser contada que, para mim, o saldo foi positivo.  

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