Produtora cultural, Juliana Iyafemí, lança curta-metragem baseado no clássico da literatura “Grande Sertão Veredas”

Baseado no grande clássico da literatura “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, o curta metragem “Reboco” se passa entre o cerrado mineiro e o sertão nordestino e se contextualiza em tempos atuais dos amores mórbidos vivenciados dentro das subjetividades de cada ser humano. O filme tem incentivo do Programa Municipal de Incentivo a Cultura (PMIC), foi lançado durante coquetel para convidados na Casa de Cultura Abdala Mamedi, em Araguari, neste domingo.

Foto: Divulgação

          Produzido, dirigido e com atuação de Juliana Iyafemí, o filme de ficção e romance, se passa em uma comunidade pequena do sertão, de Essu-RN, chamada Adelina, com cerca de 2 mil habitantes.  Neste local, se passa o encontro de quatro adultos que vivem “o amor” de formas similares e diferentes, em meio ao caos interno e externo de cada um. Os personagens personagens vivem em um abiente perto de um vulcão inativo, onde a pele racha com o calor e as margens do Rio Araguari e estacação ferroviária.

Segundo Juliana, parecem mais um casal multiplicado em quatro, como as nossas múltiplicas personalidades. “Os quatro se encontram em momentos de distração e descanso da vida árdua no sertão. Três saíram da comunidade e foram buscar expansão de fora para dentro, um ficou e ainda busca expansão de dentro pra fora”, conta.

          O conflito desse curta está justamente em falar de amor em tempos mórbidos. O sagrado e profano andam juntos nesse enredo e criam expectativas de diminuir a dualidade entre bem e mal que a humanidade criou, além de desmistificar ideias que criamos como certezas e, na verdade, não  passa de incertezas, que alguém deu fé.

          Reboco tem trilha sonora composta por nomes como Chico César, Tiquinha Rodrigues, Isabela Moraes, Flaira Ferro e Luiz Salgado.


O enredo

Ará, uma moça apaixonada, sagaz, atenta ao presente e futuro e destemida, mas se perde, muitas vezes, na sua coragem impetuosa. Acaba de descobrir que ama uma ilusão. Ou seja, está desiludida.

Inaê, forte na sua brandura, amorosa, inteligente, paciente e com conflitos mais acentuados no que tange  onde ela se encontra no mundo. A personagem está em um momento que questiona se está amando sozinha e não é correspondida como gostaria, carregando a frustração.

 Biu, corajoso, amigo de um “pai de santo” curandeiro, trabalhador da terra, sonha viver muitas das suas personalidades escondidas, tem receio de abraçar, mas ama quando  alguém o abraça sem formalidades; um moço que tem medo do que as pessoas ao seu redor pensam dele e dos seus amores híbridos. Se encontra atento ao coletivo e com medo da não aceitação.

Humberto, um atento-desatento, curioso, certo das suas escolhas e está totalmente bem e entregue ao acaso, vive o amor do presente, o amor com delírios reais. Seu medo, talvez seja, sair do presente e imaginr o futuro

Os casais de amigos têm aproximadamente 33 anos de idade e sonham em construir um sertão melhor para que possam permanecer nas suas origens.  Encontram em suas conversas,  baseadas por cerveja  e cigarros de fumo de rolo, a mesma leitura de um livro que conheceram na adolescência. E nos seus estudos particulares, a mesma inquietação é despertada por meio do livro “O Grande Sertão Veredas”, do escritor João Guimarães Rosa.

A produtora e diretora Juliana Iyafemí explica que o sertão que os personagens vivem é diferente do que Guimarães descreveu e delirou, mas o que unem esses casais nessa obra, é o amor reprimido e intrigante do personagem principal “Riobaldo” por “Diadorim” e o         momento existencial de vida que se encontram. “Eles também se encantam com os devaneios existencialistas, as conversas entre  bem e mal e Diabo e Deus que o livro traz”, revela.

Os casais ficam atravessados pela obra e decidem, nesse momento de encontro raro dos quatro – em plena pandemia enfrentada em 2021- fazer um filme com suas percepções sobre o amor atravessado por Guimarães Rosa. Mas como bons críticos e “rebeldes” que são,  eles e elas fazem recortes específicos sobre a cultura que estão as similaridades e distâncias que Guimarães cria. Afinal, são quatro nordestinos nascidos no Rio Grande do Norte. Eles trazem a regionalidade como um dispositivo de pensar o amor, abranger o conceito de amor. Percebem que não tem como falar de amor, se não falarem do sertão, porque o sertão é romântico e as personalidades que passam por ele também.

 Ará, Biu, Humberto e Inaê se encontram despretensiosamente e conseguem fazer um registro de suas histórias de vida, abalados por crises existências que vivem naquele momento. Ninguém sabe onde será transmitido; talvez fique guardado para os filhos, ou  apareça numa reunião da comunidade; ou ainda, vá para outro país com Humberto. Eles se desapegam do resultado e vivem o processo intensamente, como se isso fosse a cura que estavam precisando enquanto seres humanos, que também contam histórias, ao mesmo tempo em que refletem acontrecimento de outras pessoas.

Totalmente afetados pela condição social que cada um se encontra, porém ligados a comunidade “Adelina”; o que mantem a esperança neles, em dias melhores é realmente o amor. Um sentimento, nada romântico, o apreço a terra, aos bichos, ao corpo, aos orixás, a história, as  figuras míticas que aparecem, as pessoas e a si mesmo: talvez seja                                               sobre a descoberta do amor.

Comboio Produções

É uma produtora cultural brasileira, afro-centrada, fundada em 2012 por Juliana Iyafemí. O foco da produtora é a produção de festivais e projetos culturais com linguagens nas artes integradas. Desde 2012 a comboio produziu mais de 25 festivais e encontros dentre eles a Mostra de Dança “Camadas” em 3 edições (2013,2014 e 2015) na cidade de Araguari-MG, o festival “Reexistência à 64” (2014). Compôs o IX festival latino americano de Teatro, em Uberlândia-MG (2015); produziu encontro de culturas populares na Bahia, Pernambuco e Rio grande do Norte(2018 à 2021); integrou a produção da CUFA(Central única das favelas- MG) de 2017 à 2021. Produziu e dirigiu na área audiovisual mais de 10 vídeo-danças, disponíveis nos canais de streaming (dentre eles “Entre-si” – 2020), mais de 3 videoclipes (Bate folha – 2020), mais de 2 documentários ( A culpa é do cabelo- 2012); (Destroços da colonização – 2020), mais de 3 curta metragem (entre eles Entenebrecida- 2020) e em 2020 teve a premiação do curta metragem “Entre si” no prêmio do Itaú cultura; da vídeo-dança “Dez nós” na arte do quilombo- FUNARTE e em 2022 premiação de melhor filme(Entenebrecida) no festcaicó. É uma produtora iniciante e que busca espaço de atuação e aprendizagens na área áudio visual, dentro da cena do cinema independente.  Tem como referência e parceria a produtora consolidada, Carnaval Filmes.

SAIBA MAIS:

@comboio_producoes

Email : Comboioproducoes2@gmail.com

Telefone comercial : (34)9 9289-5770

Teaser do filme: https://drive.google.com/file/d/11SnCu87HZFr3Tvh-aq88ChVu_PUkOr6E/view?pli=1

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