A vida é como andar de bicicleta, se parar você cai! A música “Sem parar” Foi lançada no inicio dos anos 2000 quando ainda estava em Itumbiara e era um menino cheio de sonhos e perdido. Qual caminho deveria seguir? O que deveria fazer? Como seria meu futuro? Esses questionamentos são comuns a qualquer adolescente.

Mas naquela época a minha visão era restrita e essa limitação me prendia em um medo de deixar a minha zona de conforto, isso em meio ao momento em que a minha família estava desmoronando e os meus pais seguiam em caminhos separados.
E, de repente, me via ainda mais sozinho. No entanto, percebi que cada um lida com as suas situações da melhor forma que consegue. Os meus pais estavam passando por muitas emoções e eu não entedia. Eu já sabia que eles não poderiam me ajudar nas minhas frustrações, mas até aquele momento, eu tinha onde me apoiar. Somente, muito tempo depois, notei que eles não conseguiram me ajudar em muita coisa, pois não tinham exemplo e aprenderam comigo os medos e os obstáculos que a sociedade impõe a uma pessoa com deficiência.

Eu já era norteado pelas músicas que alimentavam a minha esperança que algo bom iria acontecer. Na minha solidão. Gabriel O Pensador sempre fez parte das minhas playlists, apresentado pelo meu saudoso primo Andrei, o artista me fez enxergar um mundo que estava muito longe da minha realidade.
Enxerguei a necessidade de ampliar minhas possibilidades e enfrentar meus medos, isso ocorreu nos meados dos anos 90. E no começo deste século quando o rapper lançou “Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre O Mesmo)” eu comecei a questionar: quem sou eu? Como me encontrar se eu ainda não me conheço? Como fazer isso sozinho? Deste modo, a música me guiou e naturalmente me levou as outras formas de arte que me fizeram sair do lugar.
Compreendi, que mesmo perdido, eu tinha que seguir em frente amando e com um sorriso no rosto. Porque o futuro é um presente que a vida me oferece. E que na minha luta buco algo e alguém original.
Posso dizer que, no meu caminho, as letras do cantor me fortaleceram e me ajudaram a construir uma trajetória com relações concretas baseadas no amor, no respeito, na admiração e no convívio com a diversidade. Abraçar a arte para superar a minha solidão e enfrentar o preconceito, me transformou em um homem sensível, teimoso, sonhador e feliz.
Sendo assim, eu fui ao Terreirão Do Samba animado e empolgado, sempre com a melhor companhia e o coração batendo apressado por diversos motivos. A noite reservou um pouquinho de samba, mas o ritmo que predominou foi o rap e o astro da noite era ele, Gabriel O Pensador.


Cheguei cedo, fiquei no gargarejo. Lógico, estava na expectativa para entrevista-lo, um sonho! E com a ajuda do querido e grande amigo e incentivador, que me ajuda a desenvolver o um bom trabalho, Lucas Naves, me proporcionou uma noite inesquecível Você vai poder conferir esse bate-papo descontraído, logo mais no Se Manca, no Youtube. Aproveita e já se inscreva para não perder!
Já curtindo este momento, voltei para meu lugar para acompanhar o show, a Mari me dando todo o suporte. Quando, ele dedicou a música “Fé Na Luta” a mim e ao meu trabalho me fez ir as lágrimas no instante que escrevia este texto. Pois sempre soube que o sim é mais forte do que o não e que as pessoas em nossa vida devem somar, aprender a dividir e, assim, multiplicar.
Neste sábado (22) várias histórias poderiam ser contadas, quero destacar a do Arthur um menino, que estava acompanhado pelos responsáveis, de 11 anos arrebentou ao cantar com o Gabriel o clássico “Retrato de Um Playboy Parte II”. Que bom ver essa geração escutando o Gabriel.
O rapper mostra a realidade, porém também canta a positividade. Ele sabe a força da palavra, do amor e da diversidade para a evolução humana e social. O garoto teve o seu momento e, certamente, uma boa semente foi plantada.
Em show do Gabriel, vamos contar a história de Ângela Maria, professora que utiliza as músicas do cantor na sala de aula e também trabalha em uma rádio comunitária. Ela cantou todas as músicas e realizou o sonho de conhecer o seu ídolo de perto.
Muitas destas letras, apesar de terem sido compostas há mais de 30 anos, ainda são atuais. Até quando iremos levar porrada, continuaremos nessa dança em busca de um emprego e permaneceremos sem saúde.
A pátria que me pariu não me educou, ela nos mostrou que a paz é contra lei e a lei é contra a paz. E quem deveria dar exemplo demonstra o pior lado do ser humano.
Ao mesmo tempo em que contesta e tenta mudar a realidade, Gabriel também canta a esperança e a fé no futuro. Ele não para e continua com sua fé e na luta. Com um papel e uma caneta na mão, o compositor e escritor descarrega as suas emoções e busca passar todos os ensinamentos de quem cresceu e se desenvolveu na diversidade.
Como disse no começo, o Gabriel era a principal atração da noite, mas eu não poderia fechar este texto sem registrar os talentosos meninos do Rapadura, que trouxeram para Uberlândia a cultura e o orgulho de ser nordestino.

O sábado foi com emoções e muitas histórias. Espero ter outras oportunidades de conversar e absorver um pouco mais do conhecimento do carismático, humano e o porta-voz de um mundo que tem jeito, só depende de nós.

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