Leve, divertido e extremamente verdadeiro. Eu diria que o espetáculo “Ninguém Dirá Que É Tarde Demais” é uma lição de vida, uma aula de como podemos ser melhores com o passar dos anos.

Você que não pôde ir ao teatro nesta sexta-feira (30), poderá prestigiar esta obra, que continua em cartaz até domingo, com mais duas sessões. No sábado, a peça começará às 20h, no dia seguinte as cortinas se abrirão às 19h. Garanta o seu ingresso no site.
Geralmente, nós nos apegamos a padrões e supostas verdades absolutas que vão sendo descontruídas com o passar do tempo. E, a partir desta reconstrução, nós temos que nos deparar com o nosso passado, encarrar as nossas frustrações, levantar a nossa cabeça e ser capazes de ver, na simplicidade do nosso dia a dia, a força que nós temos para mudar e buscar a nossa verdadeira identidade.
As gerações passam e o amor é o elo mais forte e indiscutivelmente o mais belo que conseguimos semear. De resto, tudo pode ser e modificado, seja as nossas relações ou a estrutura que compõem a sociedade.


Os jovens não têm ideia de quanto é valorizo essa trajetória e o quanto é necessário ter bases fortes para se desenvolver. Felipe (Edwin Luisi) e Luísa (Arlete Salles) protagonizam o espetáculo “Ninguém Dirá Que É Tarde Demais” Em um momento no qual a sociedade está em cheque e as relações humanas estão desgastadas.
Em meio a Pandemia, Felipe vai morar com o filho (Alexandre Barbalho), enquanto no apartamento ao lado Luísa recebe o neto (Pedro Medina) recém-chegado de Portugal. Os dois protagonistas mostram personalidades diferentes e encaram a vida deum jeito completamente opostos.
No entanto, ambos se demonstram cansados da rotina, do isolamento e, por isso buscam maneiras de continuar essa trajetória. Enquanto um se apega as suas histórias, o outro se mantém fiel as suas tarefas cotidianas.
Eles não se conhecem, são vizinhos e tudo que querem é encontrar uma motivação para continuar. Em meio a isso tudo, situações inusitadas e surpreendentes mostram que todos nós podemos quebrar paradigmas e padrões preconceituosos estruturados na sociedade.


Por outro lado, temos a percepção que devemos e precisamos desacelerar, temos que aproveitar os momentos para construir pequenas histórias para que elas nos alimentem no futuro, por isso, temos que ter um saldo positivo. Ao mesmo tempo em que não podemos nos prender a rotina e estar abertos as boas mudanças.
Seja por meio dos astros, superstições ou, por convicções construídas ao longo da vida, a verdade é que temos que viver em busca de alimentar a nossa essência, podendo ou não definir caminhos. Podemos fazer isso levando um sorriso no rosto e tendo a coragem de se reinventar, valorizando sempre as relações humanas que serão a base dessa trajetória. Nesse meio tempo, desenvolver a própria empatia e aprender a ouvir.
Um ótimo exemplo desta construção e dessa trajetória positiva está representado no palco. Gerações de uma mesma família estão unidas e trabalhando para passar sua mensagem. Em cena, Arlete, Alexandre e Pedro são mãe, filho e neto, respectivamente, eles se juntam a um conhecido de longa data, Edwin que tem décadas de amizade com Arlete.
Que show de atuação! O entrosamento, a leveza e a conexão entre eles são perfeitos. Eles provam na prática que a construção do caminho vale muito mais do que a chegada. Que os anos sejam aproveitados, desfrutados e preservados de boas memórias e grandes histórias. E sempre é um bom momento para um novo capítulo. Nunca digam que é tarde mais.

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