É muito bom compreender que quando vamos a shows como o do Paulinho da Viola, nós vivenciamos parte da história do samba brasileiro. É, sim, um privilégio poder ter uma experiência como esta.
O palco do Teatro Municipal se tornou uma verdadeira roda de samba na qual nomes como Monarco, Babu, Elton Medeiros e Clementina de Jesus foram homenageados por Paulinho e os filhos João e Beatriz Rabello.


Como toda boa roda de samba, teve muita resenha e histórias de um tempo que não volta mais. De uma forma linda, Paulinho da Viola contava lembranças de uma vida repleta de muita alegria, samba e música.
Antes de executar “Para um Amor no Recife”, ele relembrou uma professora aposentada que o adotou quando o músico fez a primeira viagem ao nordeste. Isso porque ele prolongou a viagem, que era de apenas durante um final de semana, e durou mais de um mês.
A senhora abrigou Paulinho nessa aventura e, com a proximidade que os dois criaram, a professora chegou a pedir a mãe do, então jovem Paulinho da Viola, uma autorização para chama-lo de filho. Que história maravilhosa.
Essa foi apenas uma, um dos seus grandes amores dele, a Portela, também teve momentos de destaque. Além de relembrar o início de sua trajetória na escola de samba, em 1964, e alguns momentos importantes, o sambista fez questão de demonstrar carinho, respeito e admiração por todas as outras escolas de samba. Essa atitude se estendia ao público quando Paulinho, gentilmente, pedia paciência ao público para afinar o instrumento, pois ele sempre quer entregar o melhor.
Já que estamos em uma roda de samba, todos podem entrar e ter seu lugar de destaque. Paulinho era o anfitrião e que tem muito a ensinar, mas ao mesmo tempo, ele dividia e às vezes até se ausentava para seus filhos, os talentosos Beatriz e João ocupassem o palco com a mesma magnitude.
Claro que estes momentos em família renderam belos relatos. Paulino contou que não participou do processo de gravação do primeiro disco da carreira de Beatriz, mas ao ouvir o disco praticamente pronto, ele teve uma inspiração e compôs, em uma noite, a canção “Bloco do Amor”, que acabaria tornando-se o nome do álbum de estreia da cantora.

João, por sua vez, além de participar tocando violão em várias músicas, também teve o seu momento solo e em dueto com a irmã, eles tocaram músicas que entraram na turnê “Coisas do Amor”, mas a mesma foi interrompida por conta da pandemia. No repertório desta turnê havia músicas que o pai já não pretende executar em suas apresentações.

A roda de samba na qual o palco do Teatro Municipal presenciou foi harmoniosa, emocionante e, em pouco mais de uma hora, encantou a plateia, que por sua vez, aproveitou para apreciar um pouco da história cultural deste país, ao mesmo tempo em que navegava nas mais puras águas do samba.
Paulinho nos presenteou com uma noite histórica e nos deixou empolgados, pois o seu legado já imortalizado segue e ainda será ampliado por mais algumas gerações da família Rabello.

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