‘Thácht’ é marcado pela melancolia e reflexão

O espetáculo “Thácht” lotou o teatro da Trupe de Truões, na noite deste domingo (23), em Uberlândia. Por conta da peça se tratar de temas complexos como a velhice e a morte, confesso que alguns detalhes demorei a entender e, por isso, tive que ler um pouco mais para fazer essa crítica.

Aparentemente, Rufo e Rafa estão em um asilo, cada um deles lhe dando com a solidão a sua maneira. Humor negro, ironia e muita melancolia ditam o ritmo do espetáculo. Dentro deste espaço, os dois recordam os momentos marcantes de suas vidas. A cada lembrança ou situações inerentes à velhice, uma mensagem era transmitida. Entre uma lamentação e outra, frases como: “eles dão mais valor a morte do que na vida” e “eles mexem em tudo, menos no nariz”. São citações importantes que levam o público a refletir. Será que, de fato, valorizamos mais a morte? Sobre a segunda a afirmação, fica a pergunta: estamos aceitando e rindo de tudo como um palhaço?

Essa identificação com uma personagem circense não é por acaso. Rufo e Rafa tiveram uma vida no circo, onde viveram as situações mais prazerosas e decepcionantes. Amores, abandono, risos, tristeza e a magia se perderam no picadeiro. Ficaram, somente as recordações e lamentações de um passado muito, muito distante.

Foto: Rafael Motta

E, para simbolizar essa volta ao passado, as personagens estavam vestidas como Charlie Chaplin, na época do cinema mudo, essa caracterização não fica apenas nas roupas, também na maquiagem, nas encenações, onde momentos engraçados eram protagonizados sem a emissão de uma única palavra, e no cenário. Toda essa melancolia, regada por poucos momentos felizes, por muita nostalgia e depressão foi intensificada por meio das músicas tocadas ao vivo.

“Thácht” nos faz refletir sobre a vida e as condições que a mesma oferece e o que ela pode vir a ser.

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