Espetáculo , “Molière- Uma Comédia Musical” terá três apresentações no Teatro Municipal
Poder conversar com um artista como Matheus Nachtergaele que conhece tanto as particularidades do povo brasileiro e entende tão bem essa diversidade da qual sua população é formada, faz com que uma simples entrevista, se transforme em uma aula de conhecimento. De uma maneira simples e direta, o artista demonstrou o amor que tem pelo nosso país e, mesmo em tempos difíceis, Matheus mantém uma fé e uma esperança por um futuro melhor, que é contagiante.

Nessa conversa, falamos um pouco de tudo. Da sua carreira, do retorno aos palcos, do momento político e muito do seu novo espetáculo, “Molière- Uma Comédia Musical”, que chega a Uberlândia para três apresentações que acontecerão, entre sexta e domingo, no Teatro Municipal.
Por conta de seus trabalhos na televisão e no cinema, Nachtergaele se manteve longe dos palcos por 10 anos. No entanto há três anos, o ator se mantém em cartaz. Primeiramente com o monólogo “O Processo do Conserto do Desejo”, e agora com a comédia musical: Molière. Ele mesmo descreve essa inquietude e o motivo que o fez retornar aos palcos. “Há cerca de três anos atrás, senti violentamente a vontade de voltar para o palco. Com crescimento dessa comunicação via computador, ou seja, pelas nuvens, o teatro voltava a ter uma grande força! Porque ele é a celebração do aqui e agora. O teatro é a cerimônia do livre pensamento, o último lugar onde a gente pode ficar todo mundo junto em oração, sem dogma. Uma celebração da beleza e da feiura, de sermos quem nós somos.”, concluiu o artista.
Esse retorno aconteceu com o monólogo “O Processo do Conserto do Desejo”, espetáculo no qual o ator leva para o palco a emoção e o drama dos poemas de sua mãe, Maria Cecilia, que morreu quando Matheus tinha apenas três meses de vida.
Na sequência, surgiu o convite do Elcio Nogueira Seixas e do Renato Borghi para protagonizar , “Molière- Uma Comédia Musical”. Além de serem os idealizadores do espetáculo, Renato e Elcio também compõem o elenco da peça, dirigida por Diego Fortes.

A história conta um pouco da trajetória de dois dramaturgos. Molière e Jean Racine, mestre e pupilo respectivamente, que travam uma disputa pela preferência do rei Luis XIV, o Rei Sol (Nilton Bicudo), na França, do século XVII. “Molière foi aquele homem nascido na burguesia, no entanto, aquela pessoa que fugiu com o circo, sabe? E que durante muitos anos foi o autor preferido do rei Luis XIV. Ele era muito ácido, libertário e um crítico Ferraz das hipocrisias e dos vícios da burguesia, da aristocracia e do clero francês. Racine, em contra partida, era um homem de origem humilde, muito talentoso, sendo considerado o maior trágico da França. Enquanto, Molière é considerado o maior comediante, talvez de todos os tempos”, descreveu o ator sobre as duas personagens principais.
De mestre e pupilo, Molière e Racin passaram a ser rivais em busca do patrocínio da corte francesa . Essa história divertida e de fundo trágico, que nos remete de certa forma ao momento atual, no qual o poder busca padronizar o que é certo ou o que é errado, faz nós pensarmos de uma maneira mais reflexiva.
Já ficou claro que a trama se passa na França, não é verdade? Aí, você pergunta: cadê a música? Onde ela se encaixa? Nesse momento, aparece à figura do diretor, Diego Fortes. Por relatar a história de dois ícones da dramaturgia mundial, ele buscou elementos igualmente relevantes e que pudessem abrasileirar o contexto do espetáculo. E foi através do tropicalismo, presente nas canções de Caetano Veloso, que ele conseguiu unir as duas realidades.
“Molière- Uma Comédia Musical” é uma grande produção que reúne entre banda e elenco 15 pessoas em cena, além de todo o cuidado com o cenário, figurino e caracterização das personagens. Mas para que tudo dê certo em cena e a plateia se deleite com o espetáculo, o trabalho foi árduo. Foram três meses, entre os ensaios e a estreia, em abril deste ano. Para fazer o protagonista, Matheus Nachtergaele estudou o dramaturgo francês por meio de suas obras, filmes e literaturas já lançadas. Por ser uma comédia musical e não realista Matheus definiu, de uma linda forma, como construiu a personagem. “Propus, vamos dizer assim: o Aral, de certa brasilidade Macunaímica. Ser Molière, mas com a energia e a liberdade brasileira”, concluiu o artista.

E, para finalizar, Nachtergaele deixou uma mensagem importante e muito forte, ainda mais, nesses dias que antecedem as eleições no Brasil. .”Como nós estamos às vésperas das eleições, eu me sinto muito honrado de estar indo a Uberlândia pra fazer uma peça tão política, como é “Molière” , de Sabina Berman. A peça é uma comédia musical, mas a discussão de como a gente pode ou não abrir mão dos nossos sonhos por causa do poder, me parece muito pertinente. Eu espero que todos nós votemos com a consciência de quanto mais pessoas felizes no Brasil, melhor para todo mundo. A gente não deve deixar a sombra fascista crescer diante de nós, de uma maneira mais definitiva. Vamos nos dar as mãos para respeitar a vocação do Brasil. Ser mestiço, brincante, multifacetado, e de religiosidade multifacetada. Vamos fazer daqui, o lugar que nos dê orgulho e que sirvamos de exemplo para o mundo todo, de um povo que se misturou para ser mais feliz.
Depois de uma mensagem como esta, não tem como perder este espetáculo! E Uberlândia teve o privilégio de ser a cidade escolhida para iniciar a turnê do espetáculo.
Serviço:
Molière — Uma Comédia Musical de Sabina Berman
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 120 minutos
Data: 5, 6 e 7 de outubro
Horário: Sexta e sábado às 20h30 e domingo às 19h
Ficha Técnica:
Texto: Sabina Berman
Tradução: Elcio Nogueira Seixas e Renato Borghi
Adaptação: Diego Fortes e Luci Collin
Direção: Diego Fortes
Elenco: Matheus Nachtergaele, Elcio Nogueira Seixas, Renato Borghi, Nilton Bicudo, Rafael Camargo, Luciana Borghi, Georgette Fadel, Regina França, Marco Bravo, Débora Veneziani, Edith de Camargo, Fábio Cardoso, Maria Fernanda e Beatriz Lima | Cenografia: André Cortez
Figurino: Karlla Girotto
Direção Musical: Gilson Fukushima
Iluminação: Beto Bruel e Nadja Naira
Assistente de Direção: Carol Carreiro
Fotos: Eika Yabusame, Jamil Kubruk e Luísa Bonin, Paulo Uras — Estúdio FB
Direção de Produção: Camila Bevilacqua e Fioravante Almeida I
Coordenação de Produção: Luís Henrique Daltrozo (Luque)
Idealização: Teatro Promíscuo, Flo Produções e Lady Camis
Produção: Daltrozo Produções

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