Milton Nascimento contesta o momento atual, reforça a luta contra as injustiças e deixa uma…

Ter a oportunidade de acompanhar uma apresentação do Milton Nascimento é uma experiência única e, com certeza, inesquecível! Quando menino a minha mãe ouvia as canções imortalizadas pelo cantor em casa, no entanto, não gostava, nem o pouco, quando ela colocava a música no último volume para me acordar aos sábado. Talvez, por isso, tenha chorado em alguns momentos da apresentação ao lembrar a minha infância e de como era boa àquela época, mesmo quando a minha mãe ficava brava por não arrumar meu quarto ou lavar os pratos. Pelo menos as broncas, na maioria das vezes, eram sempre com uma trilha sonora de qualidade. Por conta dessas lembranças, posso dizer que foi um dos melhores shows que pude apreciar.

Foto: Igor Castanheira

Falar que a performance do mineiro foi impecável, é cair no óbvio. Então, o que destacar para não ser redundante e repetitivo? Para minha sorte, muita coisa!

Muito a vontade no palco, Milton fez questão de se aproximar do público. Como bom mineiro que é ele não se limitou a cantar os sucessos que o consagraram. O artista contou histórias, deu risada, recitou poemas e, com muito carinho, relembrou dos amigos que fez durante sua trajetória. Pedro Paulo Siqueira é um desses companheiros de estrada. O trompetista, que já foi um dos integrantes da banda do Milton, atualmente reside em Uberlândia com a família. Obviamente, ao ficar sabendo que o antigo amigo estava na plateia, o astro fez questão de levá-lo ao camarim após o espetáculo. Sem dúvida foi um reencontro muito especial para Pedro.

Além de rever amigos de longa data, Nascimento conseguiu superar as expectativas dos fãs que lotaram o Center Convention, nesta quinta feira (23). Eu tive o privilégio de conversar com alguns deles. Geraldo Brescia, 60 anos, é aquele fã a moda antiga, tem todos os Lps, livros e conhece tudo do seu artista preferido. Geraldo chegou cedo, ficou na fila e conseguiu um ótimo lugar. Ele estava animado, mesmo já tendo acompanhado um show, dessa mesma turnê, em outra cidade. Isso não diminuiu a empolgação e a alegria do advogado. Enquanto Geraldo revia a apresentação do músico mineiro, outros estavam ansiosos por ver o artista pela primeira vez. Esse foi o caso do pai de um amigo meu, acostumado a ir a eventos culturais, o empresário disse que esperava por esse show há 22 anos. Porém, se engana quem acha que só havia pessoas da melhor idade. Havia uma mistura, jovens que cresceram escutando Milton Nascimento não queriam perder a oportunidade de acompanhar o ídolo de perto.

Foto: Igor Castanheira

Depois de destacar o público é a vez de enfatizarmos a banda que acompanha o grande artista. Uma turnê comemorativa de 50 anos de carreira, certamente seria especial e trabalhada em seus mínimos detalhes. “Semente da Terra” é dirigida por Wilson Lopes, que também integra a banda de Milton como guitarrista e violinista desde 1993. A ideia de Lopes é fazer o público perceber que Milton é muito mais que um artista, é um ser humano em sua essência. Ele tem todas as emoções assim como todos nós. Se realmente, a ideia foi essa, o objetivo do diretor foi alcançado com êxito.

Milton se abre com a plateia, contou casos engraçados, como por exemplo, maneira como ele foi batizado pelos índios durante uma apresentação em Mato Grosso do Sul. O músico se emocionou ao falar do filho adotivo, relembrou com saudade os companheiros de estrada, além de reforçar a sua luta contra qualquer tipo de injustiça, temática tão presente em suas composições. Apesar de demonstrar preocupação com o atual cenário mundial, o artista sempre enfatizou entre um hit e outro a necessidade e a importância de sonhar por dias melhores.

Claro que Milton foi a estrela maior da noite e ela fica com mais brilho quando o artista abre espaço para sua banda ser protagonista. Além de Lopes, o grupo conta também com Beto Lopes (violão sete cordas), Lincoln Cheib (bateria), Alexandre Ito (contrabaixo), Widor Santiago (metais) e Bárbara Barcellos (vocais), Todos com muito talento. A qualidade vocal de Bárbara é tamanha que espero ter a oportunidade de ver uma apresentação solo dela.

Com o repertório rico e cheio de clássicos, o show teve momentos que o público se dividiu entre sair da cadeira e se emocionar. É difícil destacar qual momento da apresentação foi melhor, porque cada um da plateia tem a sua preferência, no meu caso, “Caçador de Mim” e “Coração de Estudante” foram as canções mais fortes.

São muitas coisas para falar, porém não há tanto espaço. Tantos sucessos imortalizados, os fãs emocionados, o Milton esbanjando simpatia, então o que posso dizer, se você tiver a oportunidade de conferir esse novo trabalho, não perca a chance!

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

Acima ↑