Em tempos políticos conturbados, onde a esperança e a fé nas pessoas estão abaladas, somente uma coisa tem que permanecer intacta, a capacidade de sonhar. Pois, a partir deste sonho você pode construir sua caminhada e desenvolver o seu espírito.
O espetáculo “Hoje É Dia De Maria — O Musical” é capaz de devolver essa capacidade, por vezes, perdida em meio a uma realidade dura e sem perspectiva.

A peça é inspirada na obra de Carlos Alberto Soffredini, no entanto, quem for ao teatro irá perceber que cada personagem tem suas particularidades, diferente de tudo que você já viu ou leu sobre esta obra.
A história de Maria, interpretada de forma brilhante por Ligia Paula Machado, se confundi com a de milhares de mulheres. A menina inocente e frágil se transforma em uma mulher forte e decidida. Porém, ela nunca perde a ternura e a doçura de uma criança. Apesar das marcas deste caminho, Maria se agarra em seu sonho e nunca perde a esperança.
Por isso, pode-se dizer que o espetáculo tem magia, música, fantasia, mas também, tem muito da realidade. A peça, de forma sutil, aborda o momento político do país, além de criticar, de maneira bem humorada, essa sociedade machista.

Personagens, cenário e figurino e canções
Maria, o pai (Luiz Araújo) e a Madrasta (Kleber Montanheiro) conseguem transmitir com emoção, leveza e diversão uma mensagem forte ao público. Muito bem caracterizados, com figurinos e maquiagens marcantes. Luiz ficou mais velho, logicamente para se passar pelo pai de Maria, com roupas simples e um chapéu, simbolizando o homem do campo. Kleber esta impecável no papel da madrasta. Com um leque, um vestido e cabelos, que lembram e muito a megera dos contos de fada, fazem a personagem ganhar um destaque ainda mais especial, digamos que uma semelhança com Cinderela não é mera coincidência.

Não podemos deixar de destacar todos que participaram desta aventura e que durante a trajetória da menina em busca das franjas do mar, também tiveram momentos de destaque.
Cada detalhe do palco foi pensado para transportar o público para o mundo de Maria. E, olha, fazer esse paralelo entre a realidade e a fantasia não é fácil. Kleber Montanheiro, que também é responsável pelo cenário, pesquisou e trabalhou muito durante quatro meses até chegar ao resultado final. A ideia é retratar de forma simples, mas bem detalhada, a trajetória da protagonista. O público é capaz de se imaginar no sertão, sentir o sol quente e também se identificar com a vida difícil da garotinha. Contudo, ao mesmo tempo, consegue se transportar para dentro dos sonhos de Maria. Resultado, o público fica encantado e na expectativa para saber qual e como será reproduzido o próximo passo da personagem. Toda Magia, simplicidade e força da obra esta em torno de uma peça giratória montada no palco, que se move e se transforma durante o espetáculo. Tudo foi muito bem planejado: o roteiro, o figurino, o cenário, mas espera aí! É um musical e, até agora, não mencionei as canções e o repertório. Calma, deixei essa parte para o final.
Quero aqui parabenizar a todos do elenco e também aos músicos, que com arranjos próprios, fizeram o público cantar e se emocionar com uma seleção de músicas as quais se encaixam perfeitamente com a cena proposta. Victor e Leo, Renato Teixeira, Jessé, entre outros, são muito bem representados.

Antes de finalizar este meu pequeno texto, um detalhe importante para o final. Com todos os movimentos do espetáculo trabalhados de maneira cuidadosa, em que os atores mostram habilidades que vão muito mais além da interpretação, o sapateado merece todo o destaque, pois ele tem uma importância singular na montagem da obra.
A Ligia acredita que o teatro é muito mais do que entretenimento, que o mesmo tem o poder de modificar as pessoas. É essa sensação que tive quando a cortina se fechou:
Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta… (Milton Nascimento)
Não perca a chance de conferir essa magia e essa mensagem forte, a qual deve ser refletida, que em cartaz no Tetro Cetip, em São Paulo.
Ficha Técnica:
Texto: Carlos Alberto Soffredini
Adaptação do roteiro original: Francisca Braga
Direção Geral: Dan Rosseto, Ligia Paula Machado
Direção de Arte: Kleber Montanheiro
Direção Musical: Dyonisio Moreno
Elenco: Ligia Paula Machado, Cleto Baccic, Kleber Montanheiro, Luiz Araújo, Camila Brandão e Felipe Machado.
Encantados: Alberto Goya, Guilherme Pivetti, João Canedo, Roger Ciel, Vittor Fernando e Hicaro Nicolai.
Músicos: João Paulo Pardal (guitarra), Murilo Emerenciano (piano), Renan Cacossi (flauta), Guto Brambilla (baixo), Felipe Machado (violão), Jonatan Motta(violino), Mathilde Fillat (violino), Rafael Lourenço (Percussão).
Cenografia e Figurinos: Kleber Montanheiro
Coreografias: Ligia Paula Machado
Designer de Som: André Breda
Designer de Luz: Wagner Pinto
Supervisão Circense: Circo Garcia
Cenotécnico: Gil Verx
Técnicos de palco: Jackson Oliveira e Beto Boing.
Assistentes de produção: Tiago Queiroz, Wallace Toledo e Camila Machado.
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara
Realização: MP Produção Cultural
HOJE É DIA DE MARIA — O MUSICAL
Quando: 6ª e sábado, às 21h; domingo, às 18h. (até 27 de janeiro)
Onde: Teatro Cetip, rua Coropés, 88, São Paulo
Quanto: R$ 50 / R$ 150
Mais informações: 11 4152–9370

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