Estilo, esporte, música e pluralidade cultural marcaram a segunda edição do ‘Mineiro Beat’

Lenine encerra apresentação de forma emocionante. Sabendo que o público estava ansioso para escutar “Paciência”, um de seus maiores sucessos, o músico deixou o melhor para final. Foi executar o primeiro acorde que a massa começou a cantar em uma só voz. Tomado por aquela energia, o músico praticamente não cantou, simplesmente acompanhou os fãs, que o ovacionaram no momento da despedida.

Mas, claro que a performance do pernambucano teve muito mais. É difícil saber qual foi à fonte de tanta inspiração, pois as músicas dele têm um pouco de cada estilo. Isso fica ainda mais evidente em sue último trabalho “Em Trânsito”.

Foto Igor Castanheira

Depois de falarmos da atração mais esperada do festival, vamos dar um tempo nas apresentações artísticas e contar como foi evento na área externa do Teatro Municipal. Calma, pessoal vai ter muito mais música aqui, pode continuar leitura.

Se o intuito do Festival “Mineiro Beat” era promover a pluralidade cultural, estimular o convívio e o aprendizado entre as mais variadas tribos, o objetivo foi alcançado. A diversidade estava ali, todo mundo junto e misturado, sem nenhum tipo de preconceito, pelo menos que eu tenha visto.

Também, verdade seja dita, havia muita opção para quem não quisesse escutar o som que estava rolando naquele momento. Teve a galera do skate, o pessoal da escalada, teve gente que até deu uma volta de balão, confesso que tive um pouquinho de inveja. Fora aqueles que aproveitaram a festa para fazer aquela tatuagem maneira, comprar alguma coisa ou fazer uma boquinha.

Por outro lado, não que eu ache ruim, não havia uma área destinada às pessoas com singularidade. Isso é inclusão! No entanto, essas pessoas, na qual eu me incluo, não puderam conhecer todo o espaço por conta da falta de acessibilidade.

Acredito que a organização do evento pensou nessa dificuldade de deslocamento entre um ponto e, por este motivo, colocou promoters para venderem as fichas que eram utilizadas na praça de alimentação. Claro, como tinha que subir escadas, uma das jovens fez a gentileza de buscar meu aperitivo. Como não vi o alimento, escolhi pelo preço e por orientação, me dei mal! Veio pouca comida e, ainda por cima, sem talher. Mas mesmo assim, consegui saciar minha fome.

O público foi abaixo do esperado no sábado e, aparentemente, o cenário não iria mudar no domingo, pelo menos até às 20h30 . A partir deste momento, a massa começou a chegar para ver a atração principal. Lógico, temos que lembrar que neste domingo foi dia dos pais.

O espaço grande e “pouca” gente facilitou minha movimentação durante esses dois dias. E, por conta dessa facilidade, consegui assistir boa parte das apresentações. E pude perceber que o palco dois estava com o som muito alto, o que prejudicou algumas performances.

Gente, eu falei que voltaria a falar de música nessa matéria, afinal, o “Mineiro Beat” é festival de música Como foram muitas atrações, vou destacar algumas.

No Primeiro dia, Mato Seco foi o grande nome. O grupo de reggae fez o público dançar com vários hits. Além de transmitir uma energia positiva, a banda fez críticas ao sistema, alertou sobre a inversão de valores nos dias atuais e elogiou a diversidade cultural do evento.

Cícero mostrou que já tem seu público fiel. O jovem talentoso nas composições e arranjos fez uma apresentação sem muito entusiasmo, mas mesmo assim, o som do garoto é muito bom!

Foto: Igor Castanheira

Pabllo Vitar, por sua vez, se mostrou humilde e agradeceu a cidade que a revelou. Ela fez a galera, que já estava cansada, dançar com os seus sucessos. Ela é um símbolo LGBT. Tem que ser parabenizada pela bandeira que carrega e pela forma como luta pela causa. Por outro lado, uma artista como ela, tem que tomar cuidado para não cair no esquecimento. A novidade já passou, a manutenção na mídia se torna cada vez mais difícil, então, a Pabllo precisa se reinventar.

Apesar de gostar muito dos caras, a apresentação do Muñoz foi prejudicada. Quase não se escutava a voz do Mauro. Porém, para quem quem é fã da dupla, o show serviu para matar a saudade e apreciar um blues e um rock muito bem executados. E tem mais, tive a oportunidade de conversar com o vocalista e, no começo do próximo ano, tem novidade saindo do forno, galera!

Foto Igor Castanheira

O Rap também foi bem representado por jovens uberlandenses e o espirituoso Froid.

Essa geração de rappers naturais de Uberlândia foi ficou mais em evidência no segundo dia de festival, Vaine e convidados mostraram a força do rap local e ainda contaram com a colaboração da Venosa, que emprestou a guitarra para os meninos incrementarem a apresentação.

Aproveitando a deixa, o grupo Venosa também se apresentou no “Mineiro Beat”. A banda de rock apresentou seu projeto autoral e convidou Beto Bruno, Cachorro Grande, para subir ao palco. Juntos eles quebraram tudo! Eles Cantaram sucessos do grupo gaúcho como: “Você Não Sabe o Que Perdeu” e “Sinceramente”, além de covers do Titãs e Mutantes.

Mesmo sem ter acompanhado a performance do Francisco El Hombre de perto, não posso deixar de enfatizar a incrível apresentação dos jovens. A interação com o público, as músicas divertidas, com mensagens fortes e muito bem executadas. Particularmente, fico contente em ver o som alternativo dos meninos atingirem mais pessoas a cada ano.

Foto Instagram Felipe Monteiro

Além da valorização da cultura, um evento como este também abre espaço para opiniões políticas. Muitos artistas se posicionaram e criticaram o sistema e, todos que se expressaram são contra o Bolssonaro, lembre-se pessoal, a cultura é o trunfo de um povo!

Até o próximo ano “Mineiro Beat”.

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