Por Igor Castanheira
Energia positiva, muita música boa e um som dançante, assim pode ser descrito o show do BNegão e Seletores de Frequência, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, neste último sábado (16). Além de tocarem sucessos, que fazem parte dos dois primeiros álbuns da banda, o grupo relembrou Jorge Ben, James Brown, Planet Hemp, entre outros.
Conhecidos por uma mistura de ritmos organizada e, por fazer de suas apresentações, um Baile da música negra universal, os Seletores de Frequência não deixou ninguém parado. Após a performance no palco, bati um papo com BNegão, muito simpático, brincalhão, contudo, muito firme em suas posições políticas. Nós falamos sobre o show, sobre política, sobre o Planet Hemp e muito mais.

Muito ligado nas vibrações do público, o vocalista se mostrou muito feliz com a energia recebida dos uberlandenses, tanto que não soube definir. “Difícil descrever a energia do show. É uma coisa só. Você está gerando uma energia, que está no lugar, mas você não gera sozinho, você gera junto com o público”, disse.
Passando por um papo mais sério, sobre o momento político do Brasil, o vocalista acredita que o país não está progredindo. No entanto, apesar de respeitar a opinião de cada um, ele discorda das pessoas, que por conta desta crise, apontam como solução dos problemas, o retorno da Ditadura Militar.
Um dos fatores da crise, embora não seja provado, são as realizações de grandes eventos mundiais, dos quais o Brasil foi e será sede. Falo especificamente da Copa do Mundo de 2014, que estourou o orçamento, assim como as olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. E, por conta do montante gasto, em segmentos menos importantes da sociedade, deixando de lado, a educação, segurança e saúde, o líder do grupo reiterou sua posição contrária a realização destes eventos.
Isso, não quer dizer que ele não possa divulgar a música brasileira em uma festa olímpica. Em 2012, o músico se apresentou em Londres (ING), mas segundo o próprio, passou longe dos políticos. “Eu fui pela música”, enfatizou.
Para BNegão, o motivo desta discussão sobre qual o melhor tipo de governo, está relacionada diretamente aos políticos, que não respeitam a história de pessoas que lutaram sofreram e morreram para conseguir a democracia.
E infelizmente, os partidos políticos não estão interessados em melhorar a vida das pessoas e , sim, continuar no poder. Sobre este assunto, o músico foi direto. “A saída do Brasil está nas pessoas. Elas têm que se apoiar e entender que está todo mundo no mesmo barco.”, afirmou. Ele ainda salientou que população tem que ter acesso à informação.
Voltando a conversar sobre música, o vocalista do grupo lamentou a morte de B.B King, uma das influências da banda, na última quinta-feira (14), porém ele acredita que o músico norte-americano cumpriu sua missão “lindamente”.
Nós também falamos sobre um futuro próximo, bem humorado, BNegão brincou quando questionado se Black Alien, integrante do Planet Hemp, irá se juntar ao grupo, no próximo dia 13 de junho, no João Rock. O Planet gostaria que ele se juntasse, porém devido a “loucura” dele não podemos afirmar. “Parece que ele está mais tranquilo. No entanto, a expectativa é que ele participe de algum show, esse do João Rock, eu não sei. Seria muito bom tocar com ele. Eu sou gordo, mas ele é o Tim Maia”, brincou.
Assim como D2, Bnegão também rechaçou a ideia do grupo lançar um álbum com músicas inéditas, mas reconhece a importância da banda no que se diz respeito a abertura para discussão sobre a legalização da maconha. “O recado já foi dado”, disse.
E para finalizar, sobre as áreas destinadas as pessoas com deficiência, o músico foi claro e enfatizou, que os eventos fazem essas áreas por causa da lei e para não serem multados, por isso, não se preocupam com a localização e nem como as pessoas com deficiência vão curtir o show, uma pena!

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